Organizando as Prateleiras Mentais: Como Pilates, Meditação, Som e a Escrita Viraram Meus Melhores Funcionários

Meu avô dizia: “Corpo são, mente sã.” E eu, teimosa que sou, demorei para entender que essa frase não era só um bom bordão de filme de coach. Mas a vida – essa professora insistente – fez questão de me mostrar na prática.

Nos últimos tempos, entre um devaneio sobre propósito e um surto (não vamos mentir aqui), percebi que minha mente estava uma verdadeira Tok&Stok desorganizada. Sabe quando você joga tudo dentro do armário e empurra a porta torcendo para nada despencar? Pois é. A cada desafio novo, lá ia eu tentando encaixar mais uma caixa sem espaço.

Até que resolvi testar o conselho do meu avô e comecei a reorganizar minha vida de dentro para fora. Não foi com aplicativos de produtividade ou planners coloridos (mentira, até tentei), mas sim com algo mais visceral: Pilates, meditação, som e escrita.

Pilates: o CEO do equilíbrio

Primeiro, voltei pro Pilates. Nada como se alongar e sentir músculos que nem sabia que existiam para lembrar que estou viva. E olha, a ciência comprova: um estudo publicado nos Cadernos de Saúde Coletiva mostrou que Pilates melhora o equilíbrio, alivia dores e aumenta a qualidade de vida. E eu posso garantir: me equilibrar naquelas máquinas infernais (que, na verdade, são minhas melhores amigas) ajudou a equilibrar minha balança emocional também.

A cada controle de respiração, eu sentia que também estava respirando melhor fora dali. O autocontrole que eu treinava no exercício – segurando o core enquanto tentava não despencar – começou a transbordar para outras áreas da minha vida. Me segurando para não responder mensagem impulsiva? Check. Me segurando para não pedir hambúrguer no lugar da salada? Quase check.

Meditação: o gerente da calma

Aí veio a meditação. No começo, parecia coisa de gente que tem muito tempo livre. Mas resolvi insistir. E não é que funciona? Estudos da Revista Interespe mostraram que meditar reduz estresse, melhora a cognição e ainda dá um boost na qualidade de vida.

Eu, que sempre fui da turma do “minha cabeça não para um segundo”, me vi sentada, em silêncio, ouvindo meus próprios pensamentos sem surtar. Uma evolução e tanto. Aos poucos, a meditação começou a me ajudar a assumir o controle, não só da minha respiração, mas das minhas respostas automáticas à vida. Comecei a reagir menos e agir mais.

Se antes eu entrava no modo “fogo no parquinho” com qualquer provocação, agora respiro fundo e penso: “vale mesmo gastar minha energia com isso?” Muitas vezes, a resposta é não.

Frequências, músicas e um sonho curioso

E aí chegamos no som. Eu sempre fui movida a música – da ópera ao funk, sem preconceitos. Mas recentemente, comecei a testar algo mais específico: áudios de frequências sonoras.

Pesquisas mostram que ouvir certas frequências pode impactar o cérebro de maneira regenerativa. A Journal of Alternative and Complementary Medicine publicou estudos sobre como frequências binaurais reduzem a ansiedade e melhoram a concentração. E a música clássica? Cientistas da University of Helsinki descobriram que ouvir Mozart e Beethoven ativa genes ligados à função cerebral e aprendizado. Ou seja, Bach pode ser um suplemento mental melhor que café.

Agora, olha que louco: semanas atrás, sonhei com “Livre Pra Voar”, do DJ Claudinho Brasil e Samanta Machado. No começo, achei aleatório. Mas depois percebi que a música era uma mensagem do meu subconsciente. Eu estava me libertando das amarras da bagunça mental e assumindo as rédeas da minha vida de um jeito mais estruturado.

A música, o movimento e o silêncio – tudo isso junto tem sido minha forma de organizar as prateleiras internas. Mas tinha um último ingrediente faltando…

A escrita: a arquiteta das emoções

Se Pilates me trouxe equilíbrio, meditação me trouxe calma e a música reorganizou meus sentidos, a escrita me ajudou a nomear tudo isso.

Sempre que sento para escrever, sinto que estou colocando cada emoção no seu devido lugar. Escrever é como organizar um armário mental: algumas coisas precisam ser dobradas com carinho, outras precisam ser jogadas fora sem dó.

Estudos mostram que a escrita terapêutica reduz a ansiedade e melhora o processamento emocional. Um artigo da Journal of Experimental Psychology comprovou que colocar os sentimentos no papel ajuda o cérebro a processar traumas e diminuir a atividade da amígdala – aquela parte do cérebro responsável pelas reações emocionais intensas.

E faz sentido. Desde que voltei a escrever, tenho sentido que minha mente está menos sobrecarregada. A poesia alimenta a alma, mas também serve de faxina. Meus textos são o jeito que encontrei de me ouvir, de me entender e de deixar registrado o que realmente importa.

E você, já arrumou seu armário interno hoje?

Se sua mente anda uma zona, talvez seja hora de testar um desses métodos. Pilates para o corpo, meditação para a mente, música para os sentidos e escrita para o coração. Seu futuro eu agradece – e, quem sabe, não te manda uma música de presente em um sonho também?

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

7 comentários em “Organizando as Prateleiras Mentais: Como Pilates, Meditação, Som e a Escrita Viraram Meus Melhores Funcionários

  1. Que texto bacana!
    Escrever realmente ajuda. Eu gosto de escrever a mão e só depois passar para o computador; me causa um bem-estar imenso.
    A meditação ainda é um desafio, confesso. O equilíbrio eu encontrei no ioga, sinto falta quando não faço no dia ou no horário habitual. E a calma quem me dá é a dança.

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    1. Diana, adorei seu comentário! Acho lindo como cada um encontra seu próprio jeito de equilibrar as prateleiras mentais – no seu caso, o ioga e a dança. E escrever à mão antes de passar pro computador? Perfeito, parece que dá tempo da alma acompanhar o pensamento. A meditação também foi (e ainda é) um desafio pra mim, mas sigo insistindo. Obrigada por compartilhar essa troca por aqui! ✨

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  2. Bruna, que texto mais inspirador! Sempre gostei da escrita, houve um tempo em que escrevia até mais, mas… quando me dei conta havia anos que eu não publicava nada, sequer conseguia escrever direito de forma autoral. E, como todo início de ano, estou no meu propósito de conseguir fazer isso, ainda mais por ser uma necessidade que agora se tornou até terapêutica, para eu juntar uns pedaços em mim. Eu percebo que acabo desanimando por começar a pensar em textos complexos e longos demais, o que me desanima e isso se une à minha rotina que engole até a alma. Você teria alguma dica para mim? 😀

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    1. Érika, que incrível saber que meu texto te inspirou! Sei bem como é essa sensação de querer escrever, mas se perder na cobrança de fazer algo muito grande ou elaborado. Minha dica? Escreve sem compromisso, sem pensar em publicar ou em fazer sentido de cara. Deixa fluir. Às vezes, um parágrafo solto, uma frase no meio do dia, um pensamento rápido já são o suficiente pra manter a conexão. O importante é não perder o hábito, mesmo que em pequenas doses. E pode ter certeza: sua escrita continua aí dentro, só esperando o momento certo pra sair. ✨

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      1. Muito, muito obrigada pela atenção e pela dica. Tenho deixado o post aberto e escrevendo aos pouquinhos. Curioso que eu estava em um assunto e hoje apareceu algo mais urgente para escrever, então parei o que estava fazendo e comecei essa nova ideia (ou necessidade). E o post saiu quase agora e eu estou feliz e orgulhosa. Mais uma vez, Bruna, obrigada. :*

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