Monma: Entre Portais, Entre Mundos e Entre o Caos da Minha Mente


E se a resposta que você busca sobre quem você é já estivesse escrita no nome que você carrega?

Eu só queria descobrir o significado do meu sobrenome. Uma pesquisa rápida, nada muito profundo. Mas, como tudo na minha vida, as coisas nunca acontecem de forma linear e simples. Comecei buscando uma resposta e, antes que percebesse, já estava cogitando largar tudo, virar budista e me mudar para o Japão para meditar nas montanhas.

O que era para ser uma pesquisa despretensiosa virou uma imersão na minha própria história. Descobri que Monma (門間) pode significar algo como “entre portais” ou “entre mundos”, e a primeira coisa que pensei foi: faz total sentido. Se tem uma coisa que sempre senti é que minha vida acontece exatamente nesse espaço indefinido entre dois extremos – entre a razão e a intuição, entre a rotina e a liberdade, entre o aqui e o além.

Mas não para por aí. O sobrenome Monma é raro, quase uma seita secreta. No mundo todo, apenas 10.496 pessoas carregam esse sobrenome. No Japão, cerca de 9.700. No Brasil? Apenas 219 almas carregam esse nome. Ou seja, eu faço parte de um grupo ultra-seleto de pessoas que têm Monma no RG. Nem precisava de numerologia para confirmar que sou diferenciada, mas agora tenho provas estatísticas.

Agora, e os meus antepassados? O que eles faziam? Porque, se eu carrego essa sensibilidade, essa necessidade de entender tudo profundamente, essa atração por temas espirituais e esse dilema eterno entre buscar a paz ou arrumar encrenca, com certeza não fui a primeira da linhagem a lidar com isso. E, bom, faz sentido.

O Passado Que Se Conecta ao Meu Presente

A história espiritual dos japoneses é um caldeirão de filosofias e tradições. Meu DNA provavelmente carrega traços de pelo menos algumas dessas práticas:

1. Xintoísmo: A crença na energia dos antepassados e dos elementos da natureza. Faz sentido, já que sempre me senti estranhamente conectada a lugares e situações, como se soubesse que já estive ali antes.

2. Budismo Zen: Meditação, introspecção, busca pela iluminação. Esse aqui bateu forte, porque eu vivo querendo respostas sobre a vida e tentando entender minha missão – e, na maioria das vezes, a resposta que vem é: “Aceite o fluxo da vida, Bruna.”

3. Onmyōdō: Um sistema japonês de equilíbrio energético baseado no yin-yang e nas forças da natureza. Olha, se alguém precisa de equilíbrio energético, esse alguém sou eu.

4. Shugendō: Uma tradição de monges que se isolavam nas montanhas para treinar corpo e mente. O conceito de viver reclusa me atrai até certo ponto… até lembrar que gosto de Aperol e hambúrguer.

Ou seja, de um jeito ou de outro, o que eu vivo hoje já estava nos meus genes antes mesmo de eu entender o que era espiritualidade. Minhas dúvidas, minha busca por equilíbrio, minha necessidade de transformar tudo em significado – tudo isso já estava escrito na minha linhagem.

E tem um embasamento real nisso tudo. A epigenética, um campo da biologia que estuda como traumas e vivências dos antepassados podem ser herdados geneticamente, sugere que experiências emocionais e culturais podem, sim, ser passadas de geração em geração (Jirtle & Skinner, 2007). Isso explicaria por que certas tendências e padrões aparecem na nossa vida sem uma explicação óbvia. Talvez eu tenha herdado dos meus antepassados não só o sobrenome, mas também essa inquietação pela busca do sentido da vida.

Entre Mundos, Entre Portais, Entre Respostas e Mais Perguntas

Se eu pudesse perguntar algo aos meus ancestrais, eu diria: “Ei, vocês também sentiam essa agonia existencial ou fui eu que inventei moda?”

Mas a verdade é que essa inquietação faz parte de quem eu sou. Eu sou Monma, entre portais, entre mundos, entre a espiritualidade e a racionalidade, entre a tradição e a modernidade, entre a estabilidade e a vontade de fugir para o Japão.

Talvez eu nunca encontre uma única resposta definitiva, mas acho que essa é a beleza de viver nesse espaço entre. E quer saber? Tá tudo bem. Afinal, a melhor parte de estar entre mundos é poder transitar por eles – e, no final, criar o meu próprio.

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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