O som que o universo faz quando ninguém está ouvindo

Dizem que tudo vibra. Que o mundo não é feito de matéria, mas de ritmo.

Que somos, cada um de nós, uma pequena corda invisível tocando uma nota única no violão do cosmos.

E se isso for verdade, talvez o meu bloqueio criativo seja só uma pausa entre duas notas.

Uma respiração do universo antes de seguir a melodia.

Nos laboratórios, físicos discutem o invisível com a frieza das fórmulas.

Chamam de teoria das cordas, como se pudessem amarrar o universo inteiro em um nó bem-feito.

Mas eu gosto de pensar nisso como poesia.

Cordas tão pequenas que nem vemos, vibrando em silêncio — criando tudo o que existe.

Essa semana, cientistas disseram que talvez a energia escura — aquela força misteriosa que empurra o universo para fora de si mesmo — seja, na verdade, o próprio espaço-tempo vibrando.

Fazendo música em escalas que a gente ainda não aprendeu a ouvir.

E isso me fez pensar:

Será que o universo também sente bloqueio criativo?

Será que a expansão acelerada que vemos no céu é só ele tentando se reinventar?

Tentando escrever um novo capítulo depois de um silêncio incômodo?

Talvez a gente se pareça mais com o cosmos do que imagina.

Talvez, quando nada sai, quando tudo parece estagnado, seja só o espaço se esticando em nós.

Preparando uma nova vibração.

Uma nova nota.

E então escrevo.

Mesmo sem saber se faz sentido, mesmo sem saber onde termina.

Escrevo porque talvez, ao escrever, eu também esteja vibrando.

Como uma corda invisível, ecoando no meio do tudo.

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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