
Outro dia, enquanto passava o dedo pelas novidades do TikTok com a leve intenção de não pensar em nada, apareceu um vídeo que prendeu minha atenção. Uma moça dizia, animada, que tinha garantido sua bolsa Hermès com 80% de desconto — “depois do exposed da China”, ela completava. Fiquei curiosa. E fui atrás.
O que descobri é que a China anda abrindo o jogo sobre algumas verdades bem incômodas do mercado de luxo. Marcas famosíssimas, vendidas como exclusivas e artesanais, terceirizam parte da produção para fábricas chinesas por um custo bem mais baixo do que se imagina. Estamos falando de bolsas que custam centenas de reais pra serem feitas… e são vendidas por dezenas de milhares. A etiqueta pode ser europeia, mas a costura, muitas vezes, não é.
Mas não para por aí. Essa movimentação faz parte de um contexto maior: a crescente tensão entre China e Estados Unidos. Enquanto os EUA impõem sanções e restrições à tecnologia chinesa, a China responde mostrando os bastidores do capitalismo ocidental — com dados, contratos e comparações que fazem a gente repensar muita coisa.
Além das bolsas, entraram na roda:
– a dependência das big techs americanas da produção chinesa,
– a real sustentabilidade das grandes marcas,
– o uso político do dólar como moeda global,
– e o contraste entre os discursos bonitos do Ocidente e algumas realidades difíceis de ignorar.
E a gente, no meio disso tudo, com celular na mão, meme na tela e aquela sensação de que o mundo está virando uma grande vitrine em liquidação — mas nem tudo que brilha é ouro, e nem tudo que é caro é justo.
Talvez esse seja um bom momento pra repensar não só o que a gente consome, mas também o que acredita.