(ou: quando a fama flutuou e a alma pesou)

Dizem que a Terra vista do espaço parece um botão azul costurado no nada.
Dizem também que o silêncio lá em cima é tão alto que a gente ouve o que não tem som.
E foi pra lá — pra esse silêncio — que Katy Perry foi parar.
Não numa metáfora, num clipe ou numa brisa transcendental de festival:
Ela realmente foi pro espaço.
Deu tchau pra gravidade, cantou no vácuo e tirou selfie com a eternidade.
Levou uma margarida na mão, dessas que parecem bobas até lembrar que representam uma filha.
E enquanto flutuava com outras cinco mulheres a cem quilômetros de tudo,
ela viu.
Não os likes, nem os tabloides, nem o sucesso plastificado.
Ela viu a Terra.
Assim, crua.
Sem contorno, sem briga, sem “essa parte é minha”.
Um planeta redondo e bonito, flutuando no escuro feito quem ainda acredita no amor.
Eu gosto de pensar que ela sentiu aquele vazio bonito —
não o de quando falta alguma coisa,
mas o de quando sobra tudo:
tempo, silêncio, arrepio, uma lágrima sem plateia.
Lá em cima, ninguém é popstar.
Lá em cima, não tem palco.
Só um universo enorme, mudo, e uma vontade de agradecer por ainda estar viva pra ver.
E então ela voltou.
Beijou o chão.
E prometeu escrever uma música.
Mas talvez…
ela nunca mais veja o mundo do mesmo jeito.
— b. monma