A faxina silenciosa

Outro dia, eu chamei Deus pra uma reuniãozinha particular. Sem pauta oficial, sem ata, sem palmas. Só eu, a alma cansada e uma verdade entalada:

Deus, eu não quero mais saber de fofoca. Não quero mais conversa vazia. Eu quero crescer, não escutar.”

Deus, que é muito eficiente, não me respondeu com uma luz mística nem com trovão.

Ele foi prático: começou a levantar umas pessoas da minha mesa.

No começo, confesso: deu aquele desconforto. Fiquei olhando pras cadeiras vazias como quem olha pra geladeira às três da manhã esperando um milagre.

Mas aí caiu a ficha: milagre era aquilo.

E foi só depois que eu entendi que não era só uma questão espiritual. Era também científica.

Pesquisadores da University of Michigan já comprovaram que fofocar (ou até ouvir fofoca) aumenta o nível de cortisol no sangue — o hormônio do estresse.

Ou seja: enquanto eu achava que estava “só ouvindo”, na prática, eu estava era me intoxicando.

Com cada “você ficou sabendo?”, meu corpo entendia: ameaça.

Além disso, estudos da Stanford mostram que a fofoca mina a confiança que as pessoas têm na gente, mesmo sem a gente perceber.

Ou seja, quem muito fala dos outros, começa a ser visto como alguém que não merece ser confiado nem pra guardar um segredo de criança.

E se a ciência já dizia tudo isso, pra que eu ia insistir em manter na minha mesa gente que não acrescentava nem paz nem projeto?

Parei de gastar energia discutindo a vida alheia e, sem perceber, comecei a construir a minha.

Porque enquanto a gente perde tempo especulando sobre os outros, os projetos mofam na gaveta, os sonhos pegam poeira, e a vida… estagna.

A UCLA ainda reforça: focar demais na vida dos outros ativa áreas do cérebro ligadas à comparação social.

Resumo: quem fofoca demais, compara demais. Quem compara demais, realiza de menos.

O que aprendi?

Que quem tem foco não tem tempo. E quem tem tempo demais pra cuidar da vida alheia… talvez esteja esquecendo de cuidar da própria.

E mais: que até nosso corpo agradece quando a gente faz essa limpeza.

Moral da história:

Se Deus começar a levantar gente da sua mesa, não tente puxar de volta pela manga.

Talvez seja Ele abrindo espaço pros sonhos que você pediu — e que até hoje não tinham onde sentar.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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