e a capinha do celular que me lembrou de ser só o que eu posso agora
– por b. monma

Outro dia, peguei o celular para responder alguém — provavelmente mais uma cobrança disfarçada de gentileza — e me dei de cara com a frase que carrego todos os dias sem perceber:
“Slow down, you’re doing fine. You can’t be everything you wanna be before your time.”
É da música Vienna, do Billy Joel.
E também é um lembrete que escolhi, escrevi e coloquei ali. Bonito, estético, simbólico.
Mas será que eu escuto?
Porque na prática eu tô sempre correndo.
Correndo pra ser mais.
Correndo pra não decepcionar.
Correndo pra alcançar uma versão minha que talvez nem exista, mas que eu inventei só pra ter com quem me comparar.
E aí, quando tudo trava, quando o peito aperta e o corpo avisa que não aguenta mais…
eu olho pra capinha.
Sim, a capinha.
E me sinto ridícula — por ter colocado ali um conselho que eu mesma ignoro.
Mas também me sinto humana.
Porque talvez crescer seja exatamente isso:
escrever lembretes que a gente ainda não consegue cumprir,
mas que aos poucos vão se infiltrando na alma,
até virarem parte da gente.
Tem dias que eu ainda acordo querendo resolver a vida inteira antes das 10h.
Tem outros em que só de escovar os dentes e não chorar já considero uma vitória.
E tudo bem.
Eu não vou ser tudo hoje.
Nem amanhã.
Mas posso ser um pouco mais eu agora.
E talvez seja isso que Vienna tenta me dizer:
que minha pressa não acelera o tempo,
mas minha gentileza comigo mesma pode suavizar a espera.
Então eu respiro.
Fecho o olho.
E deixo a frase da capinha finalmente me tocar.
Você já está indo bem, garota. Vai com calma. Vai com alma.
– b. monma
Essa música sempre me passou um ar de saudade. Quando ouvi novamente recentemente parece que tudo se encaixou depois de alguns anos “de experiência” na vida adulta.
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