(ou por que Deus talvez derrube seus algoritmos)

Tem dias em que eu me pego pensando que a gente está vivendo uma nova Torre de Babel.
Só que agora a torre é invisível.
Feita de tela, de ego, de curtida.
Uma torre digital que a gente sobe achando que vai encontrar o céu — mas só encontra mais gente parecida com a gente mesmo.
No Gênesis, todo mundo falava a mesma língua.
E resolveram construir uma torre que chegasse até Deus.
Mas não porque queriam estar com Ele.
Queriam provar que não precisavam Dele.
A torre foi crescendo…
E Deus desceu.
Viu o que estavam fazendo.
E bagunçou tudo.
Confundiu as línguas.
Espalhou o povo.
Desfez a obra.
E eu me pergunto: será que Ele não está fazendo isso de novo?
Hoje a gente não precisa mais construir torres de tijolo.
A gente ergue bolhas.
Bolhas de pensamento.
De opinião.
De filtro.
De algoritmo.
A gente diz que quer conexão, mas só aceita o que confirma o que a gente já acredita.
Todo mundo querendo falar, mas ninguém disposto a escutar.
Todo mundo buscando uma verdade, mas cancelando quem apresenta outra.
Eu mesma já estive em bolhas assim.
Onde só entrava quem concordava.
Onde todo mundo aplaudia, mas ninguém me transformava.
Até que um dia… Deus confundiu tudo.
Me tirou da torre.
Me fez ouvir outra língua.
Me desconfortou.
E talvez tenha sido ali que eu mais cresci.
Tem hora que o algoritmo desanda não porque você errou, mas porque Deus cansou de te ver tentando tocar o céu com conteúdo vazio.
Tem hora que a queda de engajamento é só Deus te chamando de volta pra essência.
Pra escutar.
Pra se reconectar.
Pra deixar de ser torre e voltar a ser templo.
✝️ Oremos:
Senhor, quebra as torres que construí em nome do meu ego.
Esvazia minhas bolhas. Ensina-me a amar quem pensa diferente.
Dá-me coragem pra sair do meu algoritmo pessoal e escutar a Tua voz, mesmo quando ela vier disfarçada de silêncio.
Se for preciso confundir minha língua pra que eu volte pro Teu caminho… então que seja.
Porque só Tua verdade é absoluta. E só Teu Reino é eterno.
Amém.
Amém.
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