
Eu penso tão diferente de quando tinha 20 anos que às vezes tenho vontade de ligar praquela eu do passado e dizer:
“Amiga, você não faz ideia. E, honestamente, nem eu.”
A verdade é que sinto que tô passando pela crise dos trinta já faz uns dois anos — sendo que só faço 30 no ano que vem. É meio patético e ao mesmo tempo tão normal que até a neurociência explica: o córtex pré-frontal, que regula nosso controle emocional, decisões e planejamento, só termina de amadurecer lá pelos 30. Então talvez eu não seja tão disfuncional assim, só neurobiologicamente atrasada.
O problema é que junto com essa tal maturidade cerebral vem o autoconhecimento, a inteligência emocional, e toda a bagunça que isso traz. É um caminho árduo, porque quase sempre envolve desconstruir uns pré-conceitos que a gente carregou a vida toda, às vezes nem eram nossos. E é difícil alinhar realidade com expectativa quando as expectativas foram absurdas desde o início. Tipo querer um corpo de top model, uma conta bancária de herdeira e uma serenidade de monge budista, morando no interior e pagando boleto como qualquer mortal.
Ainda tô aprendendo a nomear minhas emoções, a entender quando é raiva, quando é tristeza disfarçada, quando é só fome. E, principalmente, a reagir melhor às coisas que fogem completamente do meu controle — que por sinal são quase todas. Mas confesso que às vezes ainda me sinto uma criança mimada, batendo o pezinho no chão porque o mundo não faz o que eu quero.
O mais curioso é esse contraste: me sinto velha pra algumas coisas, tipo baladas até o amanhecer, e ao mesmo tempo ainda tenho medos de adolescente, como se fosse engravidar na adolescência — sendo que, oi, já tenho 29 anos. Talvez amadurecer seja justamente isso: viver em eterno paradoxo, entre o que a gente acha que deveria ser e o que de fato é. Entre o que morreu lá atrás e o que ainda tá nascendo aqui dentro.
No fim, meu cérebro tá terminando de se organizar, mas meu coração continua tentando entender o que diabos fazer com esse quebra-cabeça chamado vida adulta. E talvez, só talvez, esteja tudo bem assim.
No fim, acho que tá todo mundo meio assim — tentando equilibrar sonhos gigantes com realidades pequenas, expectativas infantis com boletos adultos, medos bobos com coragem que nem sabe de onde vem.
Então, se você também se sente meio criança, meio velha, meio confusa, meio forte… fica. A gente cresce junto, tropeçando nas mesmas dúvidas, rindo dos mesmos absurdos, e aprendendo devagar que ser adulto não é ter todas as respostas — é só continuar perguntando com o coração aberto.
-b.monma