Antes que a situação mude, Ele muda o coração

Hoje eu entendi, Deus.
Entendi que às vezes o Senhor não muda a situação porque está ocupado demais mudando o meu coração.

Eu podia jurar que era só o vinho. Mas não era só o vinho. Era o ambiente, o peso que pairava no ar, as pequenas farpas invisíveis que entraram sem pedir licença.
Meu corpo vomitou tanto, mas tanto, que chegou o gosto amargo do estômago vazio.
E minha ametista escureceu no dedo, silenciosa, carregando pra si o que eu não dei conta de sustentar.

Foi Jung quem disse que o corpo fala o que a alma cala. Ontem, meu corpo gritou.
Gritou tudo aquilo que eu mesma não tinha coragem de expurgar em palavras.
Foi feio, foi desconfortável, mas foi também necessário.
Uma purificação crua, sem incenso, sem velas — só suor, lágrima e a estranha misericórdia que há nos processos doloridos.

Hoje eu acordei meio mole, mas incrivelmente mais leve.
Como se o Senhor tivesse me limpado por dentro, retirado pesos antigos, toxinas velhas, até pensamentos que não eram meus.
E percebi que talvez a situação ainda demore a mudar. Mas se o Senhor mudar meu coração, já é tudo.
Porque quando o coração muda, o olhar muda, o jeito de caminhar muda, e até o que antes me feria perde o efeito.

Então obrigada.
Pela dor que ensinou, pelo corpo que expulsou, pelas pedras que seguraram o que não era meu.
E por esse coração novo que o Senhor está me dando, mais livre, mais Seu.

Amém.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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