Sobre paciência (ou a falta dela)

Ah, paciência…

Palavrinha bonita pra um troço que me escapa com a mesma facilidade de água entre os dedos.

Me dizem pra confiar, pra deixar a vida fluir, pra soltar o controle — e eu rio, meio nervosa, porque controlar as coisas é meu passatempo favorito. Dá uma falsa sensação de poder, quase confortável.

Quase.

Mas a vida, essa debochada, não respeita planilha.

Quanto mais eu tento puxar o caule pra flor crescer, mais ele quebra.

Quanto mais exijo garantias, mais o futuro faz careta pra mim e some na curva.

Eu sei, no fundo, que paciência não é só esperar.

É confiar. É regar a semente sem abrir a terra todo dia pra checar se ela já criou raiz.

É ter fé no invisível, mesmo sem contrato assinado.

Só que viver assim exige coragem.

E coragem cansa.

Porque tem dias que eu quero mesmo é gritar pro céu: “anda logo com isso aí, universo, que eu tenho pressa de ser feliz!”

Mas então respiro, fecho os olhos e me lembro que o tempo certo não tem a ver com o meu relógio.

E que a única forma de não adoecer é soltar a corda um pouquinho.

Deixar o barco ir, mesmo sem ter certeza do porto.

No fim das contas, paciência é isso:

não é desistir de chegar, mas aceitar navegar no ritmo das marés.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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