Sobre transformar o peso em força

Outro dia me peguei pensando em quantas vidas moram dentro de mim.

Sou filha, neta, bisneta de histórias que nem sei direito, mas que de algum jeito me moldam.

Carrego medos que não são meus, culpas herdadas, padrões repetidos com tanto zelo que parecem quase devoção.

Por muito tempo achei que isso era injusto.

Por que eu, logo eu, teria que segurar esse fardo invisível?

Mas aí comecei a entender que o peso que herdei também carrega potência.

Quando olho pras dores que vieram antes de mim e escolho fazer diferente, algo se quebra — mas não é em mim, é na corrente.

É como se eu dissesse pros fantasmas da minha linhagem: “podem descansar, daqui eu assumo.”

E então aquilo que era só peso vira força.

Um tipo de coragem que não sei explicar, só sinto.

Um “agora é minha vez” que pulsa no peito e me faz querer honrar quem sofreu pra eu chegar aqui.

Descobri que ativar isso não é um ritual grandioso.

É só ter consciência.

É olhar pro passado com respeito, mas pro futuro com liberdade.

É dizer: eu sei de onde vim, mas escolho pra onde vou.

E nesse instante, me torno a primeira da fila a caminhar sem algemas.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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