
Às vezes me sinto completamente improdutiva. Tipo um domingo arrastado em que não fiz nada além de existir — e talvez nem isso direito. Mas, curiosamente, eu me permito. Porque eu gosto. Eu gosto tanto de não fazer nada que chega a ser quase uma arte. Acho que me recarrego assim, sozinha, meio de dentro, sem esforço.
É meio difícil explicar pra quem mede o valor do dia pela lista de tarefas riscadas ou pela produtividade estampada nos stories. Eu, sinceramente, prefiro o silêncio. O nada. O tempo parado. Me sinto mil vezes mais renovada num quarto escuro, ouvindo o som do ventilador, do que no meio de gente. É como se o vazio me preenchesse — sei lá, parece contraditório, mas pra mim faz todo sentido.
Não sou só eu que digo isso (ufa). A neurociência também. Tem um estudo da Universidade de Central Lancashire, no Reino Unido, que mostra que o tédio — o ócio puro e simples, sem estímulo — aumenta a criatividade. Quando o cérebro não tem nada prático pra fazer, ele começa a buscar conexões internas, resgatar memórias, inventar histórias. O nada é fértil.
Tem outro artigo no Frontiers in Psychology que fala como atividades “subitamente entediantes” (olhar pro teto, lavar louça, andar sem destino) ativam áreas do cérebro ligadas à imaginação. É ali, na aparente perda de tempo, que surgem soluções criativas e até insights sobre quem a gente é.
Então talvez eu não seja preguiçosa, só esteja dando espaço pro meu cérebro brincar. Talvez eu não seja antissocial, só precise me abastecer de mim pra depois voltar pro mundo sem me sentir drenada.
No fim, se fazer nada me recarrega, que seja. Se o vazio é o meu jeito de florescer, então vou continuar abraçando meus momentos de quarto escuro, ventilador ligado, pensando em absolutamente nada — e, de algum jeito estranho, me tornando cada vez mais eu.
-b.monma