Sobre as coincidências que têm cara de recado

Eu sei, pode parecer bobagem.

Mas tenho essa mania de dar importância pras pequenas coincidências.

Tipo quando olho o relógio e tá 22:22, ou quando uma música começa a tocar justo no exato momento em que penso em alguém.

Pra muita gente é só acaso.

Mas pra mim tem gosto de bilhete secreto do universo, deixado ali de propósito, quase sorrindo de canto de boca.

É como se o invisível viesse me cutucar no ombro e dizer: “ei, você não tá sozinha nisso.”

Outro dia mesmo reparei num detalhe bobo: minha melhor amiga da escola nasceu dia 8/2 e eu, 2/8.

E a gente se orgulha disso como se fosse senha mágica.

Chama de sincronicidade.

Tá errado?

Nem ligo. Porque no fundo, sentir que algo tem sentido já é suficiente.

A vida é meio caos, meio poesia.

E se eu posso escolher em qual metade acreditar, fico com a que me faz sorrir no meio do nada.

A que me lembra que talvez exista um enredo maior tramando encontros, datas invertidas, números repetidos e músicas certas.

Porque viver é pesado demais pra ser só aleatório.

E leve demais pra ser tão calculado.

Então deixo estar.

E sempre que o acaso me pisca o olho, eu pisco de volta.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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