Entre sorrisos forçados no Instagram e crises abafadas no travesseiro, algo dentro de nós grita: “cansei.”
Ela acordou com o despertador e uma vontade absurda de não existir hoje. Olhou o celular, postou um story com café e escreveu: “gratidão pelo novo dia.”
Mas ninguém viu a insônia. Ninguém viu o choro abafado no banho ou a mensagem não respondida de ontem. Ninguém viu o desânimo que pesa mais do que qualquer boleto em aberto.
Tem uma geração inteira andando por aí como se estivesse tudo bem. E não tá.
O peso da leveza forçada
Estamos cansados. Mas não daquele cansaço que passa com um café forte e um cochilo de sábado. É o cansaço que mora na alma. No peito. No “tanto faz”.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o burnout já é considerado um fenômeno ocupacional. E no Brasil, uma pesquisa da ISMA-BR revelou que cerca de 30% da população economicamente ativa sofre de burnout — o maior índice do mundo.
Mas não é só no trabalho. É no amor, nas amizades, na família. Cansa a obrigação de manter a pose. Cansa sorrir pra não incomodar. Cansa não poder desabar porque alguém “tem que ser forte”.
Quantas vezes a gente sorriu por educação e chorou por exaustão?
Desde quando viver virou manter a pose? Desde quando sucesso virou sinônimo de não ter tempo nem pra si?
Todo mundo cansado, ninguém descansando
Estamos em burnout coletivo, mas romantizando o cansaço com frases como “corre que o tempo voa” ou “você dorme, eles vencem”.
Mas a alma não é feita de cronograma. Ela precisa de pausa. De silêncio. De não fazer nada — e não se culpar por isso.
Se você também acorda cansada, mesmo depois de dormir… se sente que anda sobrevivendo mais do que vivendo… então talvez esse texto seja pra você.
Desligar também é existir
Hoje eu não quero vencer o mundo. Só quero existir sem me cobrar nada.
Feche os olhos. Respire. Desobrigue-se de funcionar. Permita-se ser humana. Ser falha. Ser sentida.
O descanso também é forma de protesto.
O silêncio, uma forma de oração.
– b. monma
✦ Na próxima crônica: “Quando descansar virou um ato político.”
Porque o mundo nos ensinou a correr, mas a alma pede outro ritmo.