Crônicas do Agora: A alma pede férias — e não é do trabalho

Nem toda exaustão vem do que se faz. Algumas vêm do que se sente — ou do que não se sente mais.

Ela estava ali, sentada no canto do sofá, com o celular na mão e o peito vazio. Nenhuma notificação. Nenhuma vontade. Nenhuma resposta dentro dela.

O corpo até funcionava. Trabalhava, resolvia, entregava. Mas a alma… ah, a alma… essa pedia socorro em silêncio.

Não era sobre querer dormir. Era sobre querer desligar sem sumir. Era sobre querer estar viva — mas sem estar ligada o tempo todo.

Tem cansaços que não aparecem nos exames

A gente fala em descanso e logo pensam em férias no litoral, dias off do trabalho, uma tarde sem reuniões. Mas o cansaço da alma não se resolve com pacote de viagem. Nem com likes. Nem com spa.

É aquele cansaço que vem de aguentar. De engolir. De se calar quando tudo queria gritar.

Não é sono. É alma em estado de abandono.

Segundo a psicologia analítica de Carl Jung, todo desequilíbrio da psique se manifesta primeiro como desconexão com o self. Ou seja: quando a alma adoece, o corpo obedece.

Férias da obrigação de estar tudo bem

Talvez o que a gente mais precise agora é de férias emocionais. Um tempo pra não fingir. Pra não se exigir ser forte. Pra respirar sem pensar em retorno.

Talvez a alma não precise de grandes planos. Só de presença. De chão. De um olhar que diga: “pode parar, eu seguro você.”

Mas a gente se cobra até pra sentir. E isso adoece.

Devolver poesia ao cotidiano

Talvez a cura esteja em voltar a reparar. No sol que invade a cozinha. No cheiro do café. No som da água. Nas pequenas coisas que a pressa apagou.

Fazer poesia com os olhos — mesmo quando a vida não rima.

Porque às vezes tudo o que a alma pede não é milagre, é pausa. É presença. É um respiro dentro da rotina.

– b. monma

✦ Na próxima crônica: “Vaidade com propósito: o espelho me viu primeiro.”
Uma conversa sobre moda, imagem e a alma que se olha antes de se vestir.

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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