Meu top 10 filmes: O casamento do meu melhor amigo ou o que ficou depois que não ficou

Eu não lembro exatamente quando vi O Casamento do Meu Melhor Amigo pela primeira vez. Mas sei que foi com a minha mãe. E sei que foi só a primeira de muitas. Vi tantas vezes que o roteiro virou memória afetiva, e a Julia Roberts virou quase amiga íntima, com aquele sorriso que esconde o que sente, como quem segura o amor nos dentes.

A Julianne nunca foi exatamente eu, mas me emociona como se fosse. Talvez porque eu entenda o que é chegar tarde demais. Ou pior: o que é nunca ter tido coragem de chegar.

Eu já amei em silêncio. Por orgulho, por medo, por não saber que o sentimento era prioridade.

Mas a verdade é que o amor tem prazo. Existe um timing sutil, quase invisível, que, quando passa, vira lenda. Porque a gente muda. O outro muda. E aquilo que poderia ter sido, se torna um “e se” bonito demais pra ser realidade. Quase um futuro que ficou no passado.

A cena do barco sempre me faz encolher por dentro. Eles dançam como se ainda houvesse tempo. Mas a música já está acabando. E mesmo assim, é bonita. É como se ela soubesse que vai perdê-lo, mas escolhe perder com elegância. Isso me toca. Porque desistir por amor é a mais silenciosa das coragens.

Já fui quase. E ser quase é mais perigoso do que ser qualquer coisa concreta. Porque o quase é editado pela nostalgia. Só ficam os melhores trechos. Os defeitos a gente nunca teve tempo de conhecer.

Mas amar, de verdade, não tem a ver com posse. Tem a ver com nobreza. Com saber a hora de não ser. Com entender que o final feliz pode ser do outro, e mesmo assim te emocionar.

E quando todo mundo canta no jantar de ensaio, e quando ela dança com o amigo gay — aquele amigo que entende sem dizer, que segura a dor com humor, que é farol quando tudo escurece —, eu penso: que sorte é ter quem fique, mesmo quando o amor vai.

Talvez esse filme me emocione tanto porque fala exatamente disso: do que ficou depois que não ficou. De um amor que não aconteceu, mas que mesmo assim deixou marca.

E talvez seja por isso que eu o tenha visto tantas vezes. Porque a gente insiste em rever aquilo que, no fundo, queria viver diferente.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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