Postei uma selfie, uma frase bonita e uma música que parecia dizer tudo. Mas quando desliguei a tela, percebi: eu continuava sumida de mim.
A gente compartilha, responde, edita, escreve “tô bem” e sorri no story. Mas quantas vezes já postou algo esperando que alguém percebesse que era um pedido de socorro bonito?
O feed tá cheio de versões de nós. Mas e a versão que não performa? Aquela que só quer existir sem justificar? Ela cabe onde?
Postei e fui aplaudida. Mas não me encontrei.
A performance do “tô bem”
Segundo um estudo da Royal Society for Public Health (UK), o uso intenso de redes sociais está diretamente ligado ao aumento de ansiedade, depressão e sensação de inadequação entre jovens — especialmente mulheres.
Porque a internet é um palco. E mesmo quando você diz que tá sendo real, ainda há um enquadramento, uma curadoria, um filtro invisível.
A rede é social. Mas o que ela tem criado é um silêncio interno coletivo.
Publicamos presença, mas estamos ausentes de nós. Falamos com todos, menos com a gente.
Sumir um pouco pra se encontrar de verdade
Às vezes, o que mais precisamos não é de engajamento. É de um silêncio honesto. De uma tarde offline. De um mergulho em nós mesmas sem precisar postar legenda depois.
Talvez o mundo não precise saber de tudo. Talvez a cura venha quando deixamos de nos explicar. Quando voltamos a escrever pra dentro — e não só pros outros.
Sumir um pouco não é egoísmo. É autocuidado. É retorno. É reinício.
Eu não sou o que eu posto. Eu sou o que eu silencio.
Me perdi tentando agradar. Tentando parecer forte. Tentando “manter a estética”. Mas minha alma não cabe em moldura. Meu silêncio diz mais que meu feed.
Hoje eu prefiro sumir da internet e me reencontrar no travesseiro. Prefiro não postar nada — mas dormir em paz.
Porque às vezes, o que a gente mais precisa… é voltar a ser só gente.
– b. monma
✦ Na próxima crônica: “A geração que conversa com a tela, mas não com o espelho.”
Sobre o vazio afetivo da era da superexposição.