Respondemos mensagens o dia inteiro, mas evitamos olhar nos próprios olhos. A tela virou diálogo. O espelho, confronto.
Estamos cercados de conexões, mas cada vez mais distantes da gente mesmo. Conversamos com vozes, figurinhas, directs, emojis. Mas quando passamos pelo espelho, desviamos o olhar.
Porque o espelho não filtra. Não suaviza. Não ilude. Ele mostra. E a gente anda com medo de se ver de verdade.
Somos a geração que escuta todos os áudios — menos os da própria alma.
Afeto terceirizado, presença ausente
Estudos da APA (Associação Americana de Psicologia) mostram que o uso exagerado de telas tem gerado um aumento drástico em quadros de depressão, ansiedade e perda de identidade — especialmente entre jovens adultos.
A hiperconectividade criou uma ilusão de afeto constante. Mas nada substitui um olhar inteiro. Um toque real. Uma presença não mediada por wi-fi.
Curtimos o outro, mas evitamos curtir a própria companhia.
Fugimos do silêncio como se ele gritasse algo que não estamos prontos pra ouvir. E talvez grite mesmo.
O espelho é mais honesto que a notificação
O feed pode mentir. O espelho, não. Ele mostra a bagunça no olhar, o cansaço na pele, o nó que a gente tenta esconder por trás de filtros.
E é nesse confronto que às vezes nasce a cura. Quando você para de correr da imagem real — e começa a olhar pra si como quem acolhe.
Porque se amar é se ver. E se ver de verdade nem sempre é bonito, mas sempre é necessário.
O que ainda não postei — mas preciso viver
Quero menos tempo de tela e mais tempo de pele. Quero me escutar sem fone. Me enxergar sem ângulo. Me aceitar sem pose.
Quero conversar com o espelho. Com Deus. Comigo.
Porque se eu não me encontro aqui, nenhum outro lugar vai me caber inteiro.
– b. monma
✦ Na próxima crônica: “Até Deus virou conteúdo: espiritualidade em carrossel.”
Um olhar crítico e poético sobre a fé que virou estética digital.
Mesmo que nos espelhemos no outro, não é o outro que procuramos de verdade, é a nós mesmas. Não cabemos em lugar nenhum, porque somos infinitas!🎶
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Obrigada por esse comentário tão bonito.
É exatamente isso… quando a gente se procura no outro, no fundo está tentando lembrar de si.
Somos espelhos, mas também abismos — e é na travessia entre o reflexo e o invisível que a gente se encontra.
Amei a frase: “não cabemos em lugar nenhum, porque somos infinitas”…
Tocou fundo.
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