Não é que a fé tenha sumido. Mas ultimamente, ela tem aparecido demais — em frases prontas, fundos bege e versículos com fonte cursiva.
Hoje em dia, Deus está em todos os stories. Em legendas de look do dia, em vídeos com trilha sonora emocional, em bio de perfil com emoji de cruz.
Mas entre uma postagem e outra, me pergunto: onde Ele realmente habita?
Porque às vezes parece que Deus virou estética. Um tipo de branding espiritual. Um filtro que melhora a imagem — mas não alcança a alma.
Fé performada, espiritualidade vazia
Segundo um levantamento da Barna Research Group, há um aumento expressivo na geração que se define como “espiritual, mas não religiosa”. Porém, essa espiritualidade, muitas vezes, é consumida em pílulas de autoajuda e conteúdo viral.
É a fé de carrossel. Rápida. Bonita. Mas sem raiz. Sem chão. Sem silêncio.
É possível citar Deus sem nunca orar. Compartilhar versículos sem nunca ouvir.
Existe uma diferença entre falar sobre o divino e se encontrar com Ele no escuro do quarto, quando ninguém tá vendo. Ali, não tem filtro. Não tem estética. Só verdade.
Espiritualidade não é marketing
Falar de Deus não é tendência. É entrega. E entrega exige renúncia, presença, transformação.
Deus não se encaixa em algoritmo. Ele se manifesta no tempo escondido, no coração que se dobra, na oração que ninguém curte — mas que muda tudo.
É sobre viver fé, não só postar fé. Sentir Deus, não só citar Ele.
O silêncio como templo
Hoje, talvez eu não poste nenhum versículo. Mas vou conversar com Deus no banho. No caminho. No cansaço. No meu caos sincero.
Porque minha fé não é carrossel. É carne. É cicatriz. É esperança de que o invisível ainda sustente o que os olhos não veem.
Que a gente volte a orar mais do que compartilhar.
Que Deus volte a ser morada — e não vitrine.
– b. monma
✦ Na próxima crônica: “Deus me lê melhor que os algoritmos.”
Uma oração disfarçada de texto sobre presença, intuição e cuidado divino no caos do mundo moderno.