Quem nunca desejou apagar alguém da memória?
Um amor que doeu demais, um nome que ainda pesa, um rosto que aparece até quando os olhos fecham. Quem nunca pensou: “seria mais fácil esquecer”?
Mas quanto mais penso, mais acredito que apagar é covardia.
Porque memórias podem sumir.
Mas os sentimentos, esses não obedecem a borracha nenhuma. Eles ficam ali, intocados, como cicatrizes invisíveis na pele da alma.
Já vivi um amor bonito demais para durar.
E aprendi que a dor não está no fim, mas no tanto de lembrança que a gente carrega.
Dói mais perder de vez. A morte, por exemplo, me parece injusta justamente porque nos deixa com a memória como único abraço possível.
E, ainda assim, prefiro ter as memórias.
Porque elas são o jeito mais próximo de saber que aquela pessoa de fato existiu.
Se eu apagasse, não seria eu.
Seria uma versão rasa, amputada de sentimentos e certezas.
E o mais curioso é que, mesmo sem lembranças, acho que o coração encontraria uma forma de sentir de novo.
Brilho Eterno me ensinou que o amor não se mede pelo tempo.
Se mede pelo impacto.
Pela marca que fica mesmo quando a história não fica.
E, no fundo, acho que todos nós carregamos dentro uma caixa secreta cheia de lembranças que nunca aceitaríamos apagar — por mais que doa.
– b. monma