
Pra mim, sucesso tem cara de férias.
Mas não daquelas férias cheias de roteiro e expectativa, que você volta mais cansada do que foi. Sucesso, pra mim, é viagem onde eu não tenho pressão pra fazer absolutamente nada. Onde posso acordar sem despertador, caminhar sem rumo, comer quando sentir fome e não quando o relógio manda. Onde posso ser só eu, sem nenhuma obrigação social além de existir.
Seria perfeito ter uma vida que me permitisse ganhar dinheiro fazendo o que amo e ainda viajar muito. Escrever meus textos, criar coisas que saem do coração, e bancar não só as contas — mas também as passagens, os hotéis pé na areia, as taças de vinho ao entardecer olhando o mar.
E tem um detalhe que me faz rir sozinha de tão bobo, mas tão verdadeiro: acordar e estar viva já é, na maioria dos dias, o maior sucesso que consigo conceber. Só o fato de abrir o olho, respirar e pensar “tenho mais um dia pra tentar de novo” já deveria render um troféu. Embora, pra ser honesta, nem sempre é assim. Tem dias que só acordar já parece um desafio olímpico, e tudo bem também.
A ciência até endossa isso: estudos da Harvard Business Review apontam que pessoas que priorizam experiências (como viagens) ao invés de bens materiais têm níveis mais altos de satisfação de vida. E tem pesquisa publicada no Journal of Positive Psychology mostrando que pequenos momentos de apreciação — tipo tomar um café devagar ou caminhar sem rumo num lugar bonito — são tão poderosos quanto grandes conquistas pra sensação de felicidade.
Então talvez sucesso seja isso: um dia normal, sem grandes enredos, mas com a paz interna de quem acordou, respirou fundo e pensou “hoje tá tudo mais ou menos bem”.
Porque às vezes é só isso que a gente precisa pra se sentir absurdamente bem-sucedida.
-B.monma