Me disseram que eu precisava escolher entre a cruz e o mapa astral. Mas no fundo, eu sabia: Deus sempre habitou onde minha intuição sentia paz.
Tem gente que encontra Deus na igreja, outros no mar, no incenso, no louvor, no mantra. E tem gente — como eu — que encontra Ele no meio do caos, entre um suspiro e outro, no silêncio onde tudo parece confuso, mas Ele ainda permanece.
Fui criada ouvindo versículos. Depois, li sobre signos. Frequentei cultos e também mergulhei em mapas astrais, chakras e ciclos lunares. Tentei entender o céu — e acabei voltando pra dentro.
Hoje, eu sou templo. E onde eu estiver inteira, Deus também está.
A espiritualidade sem muros
Segundo dados do Pew Research Center, cresce no mundo todo o número de pessoas que se consideram “espirituais, mas não religiosas”. E não se trata de rebeldia — mas de uma fé mais sensível, intuitiva, que não cabe em doutrina, mas vive em prática.
É a geração que ora, mas também medita. Que lê a Bíblia, mas acende vela. Que não nega Jesus — mas entende que Ele pode falar através de um pôr do sol, de uma música ou de um versículo aberto no susto.
Fé não é fórmula. É relação. E todo mundo encontra Deus onde sente verdade.
Não é sobre rótulo. É sobre presença.
Cansei de pedir licença pra crer do meu jeito. De me justificar por não seguir o modelo pronto. De duvidar da minha fé só porque ela não é igual à dos outros.
Minha oração é espontânea. Minha fé, cheia de camadas.
Mas uma coisa eu sei: Deus sempre foi mais livre do que as regras que inventaram sobre Ele.
Eu sou o templo. E cuido de mim como um altar.
Se meu corpo é templo, minha alma é oração. Meus ciclos também são sagrados. Meus dons, também são revelação. Meus silêncios, também são louvor.
Hoje, eu não preciso escolher entre a Bíblia e a astrologia. Porque o que me guia não é o medo — é a paz.
E onde houver paz, ali eu fico. Ali Deus está.
– b. monma
✦ Na próxima crônica: “A geração que acredita, mas não frequenta.”
Sobre os filhos da fé que saíram dos templos, mas não abandonaram Deus.