Estar perdida também é estar viva.
A Frances me ensinou isso — ou talvez só tenha colocado em palavras aquilo que eu já vivia em silêncio.
Quem nunca?
Quem nunca se olhou no espelho e pensou: “E agora?”
Quem nunca achou que estava atrasada, que todo mundo tinha um plano, uma rota, um endereço certo… menos você?
Eu já me senti assim muitas vezes.
E a forma que encontrei de não me afogar foi rezar. Orar. Expandir a consciência até perceber que a vida não é uma linha reta, mas um mapa cheio de desvios.
Me conhecer foi o único GPS que funcionou até agora.
Minha cena favorita é quando a Frances descreve aquele momento único:
quando você e a pessoa que você ama estão no mesmo ambiente, em lugares diferentes, e se olham — não por ciúmes, não por posse, mas porque simplesmente é a sua pessoa no mundo.
Essa cena me encolhe e me expande ao mesmo tempo.
Porque é tão simples, e tão raro.
E sim, eu também danço no caos.
Tropeço, perco o ritmo, mas sigo.
Às vezes rio, às vezes choro, mas sempre me movimento — porque parar é morrer em câmera lenta.
Na vida adulta, a gente descobre que perde pessoas não por falta de amor, mas por conflito de agendas.
Você ama, mas não cabe.
Você se importa, mas não dá tempo.
E então entende que o carinho pode continuar mesmo que a rotina não continue junto.
No fim, talvez a maior lição seja essa:
estar perdida não é fracasso.
É só mais um jeito de estar viva.
– b. monma