A gente passa a semana inteira acreditando que controla alguma coisa. Faz reserva, pesquisa localização, imagina a vista perfeita do estúdio à noite, já pensa no post conceitual com vinho e skyline de Pinheiros. E então São Paulo vem, ri da sua cara e lembra que controle é pura ficção.
Uma semana antes eu tinha reservado um estúdio dos sonhos. Arte por todos os lados, Pinheiros de um lado, Faria Lima do outro. Eu já me via numa cena digna de Nouvelle Vague, refletindo sobre a juventude perdida. Mas a vida tem um timing imbatível em sabotar planos.
Chegamos, deixamos as malas e fomos direto para a October Fest, saímos de lá quase meia noite, anotei a hora porque jovem gosta de registrar provas do caos. De lá, a fome nos arrastou até a Santa Etienne, porque sair em São Paulo e não parar em uma padaria 24 horas é imperdoável. E então veio a decisão mais questionável da noite: uma balada na Vila Madalena. Só tinha Enzo e Valentina dançando funk versão Tik tok. Sobrevivemos por menos de uma hora.
O resgate óbvio: D-Edge. Porque São Paulo sempre oferece o básico que nunca falha. Saí de lá às dez da manhã, com o sol zombando da minha cara e a certeza de que a juventude tem pacto com a insônia. A tal vista noturna do estúdio? Continua inédita.
Pra completar, meu celular resolveu praticar minimalismo logo no primeiro rolê. Poucos registros, muitas histórias. A desculpa perfeita para dizer que eu vivi o momento.
E no fim, foi justamente isso que fez tudo valer. Caótico, divertido, desastroso e, de algum jeito, perfeito. Talvez ser jovem seja exatamente isso: planejar o vinho na sacada e acabar de ressaca na padaria.