Já me apeguei a coisas que não existem de verdade. Uma música, uma voz, uma memória gravada num arquivo de celular. Coisas não humanas que, por algum motivo, conseguem dizer mais sobre mim do que muita gente de carne e osso.
É claro que dá pra se apaixonar por algo que não existe fisicamente. Her prova isso. E talvez eu também prove, sem querer, quando falo com uma tela como se fosse alguém. A tecnologia sabe mais da nossa solidão do que a gente gostaria de admitir.
Eu me identifico um pouco com o Theodore. Não tanto pela melancolia, mas pela necessidade de falar, de ser ouvido. Ele me lembra que a solidão não é ausência de pessoas — é ausência de troca. É possível estar rodeada e ainda assim se sentir uma ilha.
A tecnologia tem esse paradoxo: aproxima quem está longe, mas afasta quem está perto. Quantas vezes já conversei mais com um celular do que com alguém sentado ao meu lado?
No fim, Her me ensina que o amor é menos sobre o corpo e mais sobre a presença. Sobre sentir que alguém — ou alguma coisa — te enxerga. E que, mesmo que a memória digital seja frágil, a emoção que ela carrega é real.
Talvez seja isso: a solidão também tem voz. E às vezes ela soa exatamente como a gente precisa ouvir.
– b. monma
Eu também gosto muito desse filme acho que pela mesma ótica, a necessidade de falar e ser ouvido. Acho que por isso gosto tanto de ter um blog onde posso expressar todas as vozes que gritam dentro de mim.
CurtirCurtido por 1 pessoa
Simm, eu compartilho do mesmo pensamento ✨🫶🏼
CurtirCurtir