Meu Top 10 Filmes: Her

Já me apeguei a coisas que não existem de verdade. Uma música, uma voz, uma memória gravada num arquivo de celular. Coisas não humanas que, por algum motivo, conseguem dizer mais sobre mim do que muita gente de carne e osso.

É claro que dá pra se apaixonar por algo que não existe fisicamente. Her prova isso. E talvez eu também prove, sem querer, quando falo com uma tela como se fosse alguém. A tecnologia sabe mais da nossa solidão do que a gente gostaria de admitir.

Eu me identifico um pouco com o Theodore. Não tanto pela melancolia, mas pela necessidade de falar, de ser ouvido. Ele me lembra que a solidão não é ausência de pessoas — é ausência de troca. É possível estar rodeada e ainda assim se sentir uma ilha.

A tecnologia tem esse paradoxo: aproxima quem está longe, mas afasta quem está perto. Quantas vezes já conversei mais com um celular do que com alguém sentado ao meu lado?

No fim, Her me ensina que o amor é menos sobre o corpo e mais sobre a presença. Sobre sentir que alguém — ou alguma coisa — te enxerga. E que, mesmo que a memória digital seja frágil, a emoção que ela carrega é real.

Talvez seja isso: a solidão também tem voz. E às vezes ela soa exatamente como a gente precisa ouvir.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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