Sempre me identifiquei com a sensação de ser invisível.
Na adolescência, eu era quieta, na minha, quase escondida dentro de mim. Até que a vida me empurrou pro palco do bullying. Na transição entre criança e adolescente, virei alvo. Doeu. Mas depois me tornei “a mais mais”. E hoje penso que quem fez bullying provavelmente se arrepende. O mundo gira — e às vezes até com uma ironia bonita.
Se eu tivesse uma música de túnel, seria Crazy, do Aerosmith. Porque a música é a maior cura que eu conheço. O som, a vibração, a frequência que entra no corpo e reorganiza o caos. Sempre tive a audição sensível — talvez por isso eu sinta a música como um remédio.
O filme também me lembra dos meus portos seguros. Dos grupos de amigos que, por um tempo, foram casa. Aquela sensação de caber em algum lugar, mesmo que fosse temporário. Porque na adolescência tudo é intenso e provisório.
Se eu pudesse falar com a minha versão adolescente, diria:
“Slow down, you crazy child.
Você é ambiciosa demais pra sua idade, e eu sei. Mas a vida não é só esse futuro ansioso que você tanto deseja. Muitas vezes ela é só um dia pacato atrás do outro. E tudo bem. Respira. Aproveita. Você não precisa correr.”
Minha cena favorita é a do túnel. Aquela em que tudo parece caber no instante perfeito — dor, esperança, música. E é justamente aí que mora a lição: ser invisível também é existir. Também é fazer parte.
O filme me ensinou que a adolescência é um trauma, sim. Mas um trauma com trilha sonora boa. E é a música que faz tudo valer a pena no fim.
– b. monma