O preço de ser livre: quando o sistema não suporta quem não precisa dele: sobre fama, energia e a guerra invisível entre o sistema e a liberdade

Existe um tipo de sucesso que não nasce do talento, mas do algoritmo do poder.

Um sucesso cuidadosamente fabricado, com o brilho polido, o discurso ensaiado e o aval de quem manda nas narrativas.

E existe outro, aquele que nasce da vida real, do povo, da espontaneidade que não precisa de manual pra dar certo.

Esse, o sistema não perdoa.

A Globo sempre foi o altar onde se coroavam os deuses da cultura.

Entrar ali era ser abençoado, era “chegar lá”.

Mas, como todo altar, ele exige sacrifícios: o da autenticidade, o da liberdade e, muitas vezes, o das relações pessoais.

Porque o sistema não apenas te contrata, ele te reprograma.

É por isso que tantos desabam quando são engolidos pela máquina.

Casais se rompem, discursos mudam, a alma se dilui em marketing.

E o público, que sempre sentiu a verdade antes de ouvi-la, percebe, mesmo que inconscientemente, quando alguém troca a própria voz pelo roteiro do sucesso.

Veja o caso de Virgínia Fonseca.

Enquanto muitos ainda imploram por um convite pra mesa dos “legitimados”, ela construiu o próprio império vendendo aquilo que é: natural, exagerada, humana.

E isso incomoda profundamente um sistema acostumado a controlar quem brilha.

Por isso o deboche, o bullying disfarçado de humor refinado, o silêncio ensaiado nas rodas de gente “importante”.

Porque ela é a prova viva de que não é preciso ser comprado pra ser visto.

A fazenda Talismã virou quase um campo energético onde essas tensões se revelam.

Quando globais se aproximam de quem vibra fora da cartilha, algo parece sempre ruir, não por magia, mas por incompatibilidade de sistemas.

É como tentar fundir dois mundos: o espontâneo e o estrategicamente moldado.

E a história se repete com outros nomes.

Tatá Estaniecki, por exemplo, sempre representou o arquétipo da parceira leal, da mulher de fé, da mãe real.

Mas quando figuras como Cláudia Raia entram na equação, com sua aura de poder, influência e teatro, algo muda na frequência.

A imagem se torna mais estratégica, menos intuitiva, mais “sistema”.

E o sistema, sutilmente, começa a reescrever o roteiro da alma.

No fundo, nada disso é sobre pessoas.

É sobre forças arquetípicas:

a Deusa do Sistema versus a Rainha Popular.

A elite simbólica versus o poder orgânico.

O “ser escolhido” versus o “ser livre”.

E nessa guerra silenciosa, o que está em jogo não é fama, é autonomia espiritual.

Quem tem o próprio público, a própria luz e o próprio discurso é perigoso demais pra um mundo que vive de manipular plateias.

Por isso tentam desacreditar, ridicularizar, domesticar.

Mas o que o sistema esquece é que há algo que não se compra nem se cancela: verdade energética.

Ela vibra, contagia, multiplica.

E, cedo ou tarde, engole até as câmeras.

O sucesso é o novo culto.

E talvez a verdadeira revolução seja continuar sendo humano, espontâneo e imperfeito — num mundo que confunde autenticidade com roteiro.

Ser livre tem um preço.

Mas ser comprado tem um custo muito maior.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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