Quando eu era adolescente, queria muito fazer 18. Achava que a vida começava ali, no primeiro “sim” sem precisar de autorização.
Todo mundo me dizia que era besteira, que depois dos 18 o tempo voava e eu ia querer ser adolescente de novo.
E quem disse estava certo.
Lembro dos 18 como se fosse ontem, mas já faz onze anos. Onze.
Nesse meio tempo, os bebês que eu carregava no colo cresceram, me ultrapassaram em altura e estão aí dirigindo, se formando, vivendo o que um dia eu achava que seria o auge da liberdade.
A verdade é que, com o tempo, a gente passa a olhar pros mais velhos com mais delicadeza.
Com admiração.
E um pouco de julgamento também… não aquele cruel, mas o que tenta entender de onde vem tanta sabedoria, tanta calma, tanta paciência.
Percebi isso no começo deste ano. Foi quando me dei conta de que o tempo não é inimigo, é mestre.
E talvez o que mais nos assuste nele seja o espelho da humildade que traz.
Porque aos vinte a gente acha que sabe de tudo.
Aos trinta, a gente entende que nasce burro e morre burro, e que o meio do caminho é só aprendizado.
O mundo anda superficial. O que não é jovem, ou pelo menos “bem cuidado”, é tratado com desmerecimento.
Mas envelhecer não é sinônimo de decadência, é sinônimo de evolução.
Existem formas de envelhecer bonito: com corpo forte, mente lúcida e alma leve.
Envelhecer com dignidade é ser respeitado, é poder continuar existindo com a mesma importância de sempre.
Os trinta não são os novos vinte.
São os novos trinta e isso é lindo.
Porque é o tempo da verdade, da consciência e da liberdade.
As pessoas estão envelhecendo melhor, como vinho.
E quem aprendeu a apreciar o tempo… já entendeu que a juventude passa, mas o encanto amadurece.
— b. monma ✦