Há sempre essa sensação de inadequação silenciosa, como se todos os lugares fossem pequenos demais para o que ainda não aconteceu em mim. Em qualquer sala, em qualquer cidade, em qualquer fase, eu me sinto menor do que sou e, ao mesmo tempo, estranhamente maior do que tudo isso.
Lá na frente é escuro.
Não porque seja vazio, mas porque ainda não foi iluminado pelos meus passos. É desconhecido, vasto, sem mapa. Eu avanço assim mesmo: um passo por vez, tremendo, mas indo. Porque parar seria permitir que o incômodo de “não ser nada” crescesse mais do que eu e eu sei que ele mente.
O que eu sinto não é só medo.
É saudade. Uma nostalgia curiosa do que ainda não aconteceu neste tempo-espaço, mas que eu reconheço como destino. Como se algo em mim já tivesse visto essa grandiosidade antes, em outra dobra do tempo, e agora só aguardasse o encontro.
Eu caminho porque sei.
Mesmo sem provas, mesmo sem chão.
Há coisas que não pedem explicação, pedem coragem.
E eu sigo.
— b. monma✨