Manual de sobrevivência para lidar com gente sem vergonha

Acordei às seis da manhã porque sou trouxa. Podia dormir até as oito, mas levantei, joguei beach tennis, suei, corri pra casa, troquei de roupa e antes das dez já tinha feito mais pelo meu dia do que certas pessoas fizeram em anos. A diferença entre nós? Eu resolvo problemas, enquanto tem gente que só sabe ser um.

E não é qualquer um, não. São os verdadeiros atletas do parasitismo. Fazem o mínimo, e ainda passam o dia exaustos de carregar a própria mediocridade nas costas. Um peso que, sinceramente, não é meu problema. Mas seria mentira dizer que não me diverte.

Porque o que me fascina é a falta de noção. Tem gente que tem um talento natural pra não valer nada e, ainda assim, achar que está enganando geral. São quase mágicos. Conjuram um personagem de “pessoa esforçada” enquanto, nos bastidores, vivem na base do jeitinho, do golpe, do “ninguém vai perceber”. Aí quando percebem, fazem cara de ofensa.

O currículo da falsiane é sempre o mesmo:

• Especialista em elogios falsos (com aquele delay no sorriso de quem precisa processar a própria mentira antes de falar)

• Mestre em puxar saco e tapete simultaneamente, porque a multitarefa só funciona quando é pra rasteira

• PhD em enganar otário, mas só os que se deixam enganar – e esses, infelizmente, nunca são os que realmente merecem ser protegidos

• Experiência comprovada em se fazer de vítima quando pega no pulo, com direito a choro ensaiado e frase dramática de novela mexicana

E sabe o que mais irrita? Sempre tem um bobo pra defender. “Ah, mas fulana não é má pessoa, tem um bom coração, todo mundo merece uma chance…” Ah, tá. A questão não é dar chance, é saber quem realmente merece. Mas tem gente que nasce com esse radar quebrado. Desconfiado só com quem fala a verdade, mas um cordeirinho na mão de quem vive na malandragem.

E aí vem a parte boa. A vida, essa senhora sábia e debochada, não deixa barato. Ela até dá corda, finge que não viu, deixa a pessoa se encher de confiança… Mas quando vem a fatura, meu amor, não tem cashback nem parcelamento.

E eu? Eu sigo. Trabalhando. Construindo. Criando. Porque enquanto uns vivem de dar rasteira, eu vivo de fazer história. E a diferença entre a gente é simples: o que eu construo, dura. O que elas fazem, desmorona.

E no final, a única coisa que eu sinto é alívio. Porque quem joga sujo pode até se achar esperto, mas nunca é vitorioso. E eu, sinceramente? Não tenho tempo pra pena. Cada um colhe o que planta. E elas plantaram vento. Boa sorte lidando com a tempestade.

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora