Tem gente que nasce com um coração que transborda. Daqueles que não sabem amar pela metade, que se jogam de olhos fechados, que fazem o impossível por quem nem sempre faria o mínimo por eles. E o mais curioso é que, no meio disso tudo, essas pessoas não sentem que estão perdendo nada—até o dia em que sentem.
Ser bom é quase um dom e, ao mesmo tempo, um perigo. Porque o mundo nem sempre sabe lidar com corações grandes. Às vezes, confundem gentileza com fraqueza, confundem empatia com obrigação. E o que era para ser bonito vira uma via de mão única, um beco onde só se entra, nunca se recebe de volta.
A questão é: a culpa é do mundo ou de quem se entrega sem medir? Porque tem quem avise, tem quem perceba, tem quem tente abrir os olhos. Mas será que todo mundo quer enxergar? Porque tem gente que prefere acreditar que amor, lealdade e amizade vêm sem peso, sem cobrança, sem a necessidade de reciprocidade. Talvez a paz deles esteja na ilusão de que todos ao redor sentem da mesma forma.
E aí vem a parte mais dura: se a pessoa não vê problema, quem somos nós pra avisar?
Cada um acorda no seu tempo. Cada um aprende do seu jeito. Alguns vão entender na dor, outros nunca vão entender. E no fim, o que resta pra quem observa de fora é o dilema de sempre: vale a pena alertar, ou cada um tem que aprender por si?
No fundo, a resposta é sempre a mesma. Você pode até plantar a semente, mas ninguém pode forçar o outro a colher.