O dia em que a vitrine quebrou

Depois do exposed fashionista, a China não parou por aí.

Ela continuou puxando o fio da etiqueta e, quando a gente viu, a vitrine toda tinha caído. O que sobrou foi aquilo que ninguém gosta de encarar: as contradições do sistema que a gente aprendeu a chamar de liberdade.

Entre uma sanção aqui e uma manchete ali, a China começou a responder as críticas do Ocidente com documentos, gráficos e perguntas incômodas.

Tipo aquele amigo que, depois de ser chamado de controlador, resolve imprimir tudo que já engoliu calado e entregar num fichário. E o fichário, minha amiga… é grosso.

A primeira acusação que ela rebate é a mais óbvia: “vocês falam de direitos humanos, mas mantêm prisões superlotadas, desigualdades históricas e interferem em países alheios quando querem proteger seus interesses.”

E não é mentira.

É desconfortável, mas é verdade.

A segunda é mais sutil: a liberdade vendida no Ocidente não é exatamente liberdade — é uma vitrine. Bonita, iluminada, mas que exige um preço alto pra entrar.

Você precisa consumir. Precisa se parecer com algo. Precisa caber.

E se não puder, tudo bem — tem crédito. Mas também tem culpa.

A terceira crítica vem embalada em tom verde: marcas sustentáveis que terceirizam poluição, enquanto postam no Instagram uma nova coleção feita com “consciência”.

Mas quem tá consciente mesmo?

Porque tem fábrica respirando fumaça em silêncio, e operário ganhando centavos pra sustentar o luxo de quem paga pela “experiência”.

A quarta é geopolítica: o Ocidente que se irrita com a China controlando narrativas… é o mesmo que controla o cinema, a moda, o algoritmo.

Quem dita o certo, o bom, o bonito?

E a quinta crítica é filosófica: talvez o Ocidente tenha vendido a ideia de progresso como uma versão refinada de colonialismo.

Não se conquista mais com exércitos — agora se domina com aplicativos, tendências, dívidas e influências culturais.

E quem não segue, “tá atrasado”.

No fim, não é sobre escolher lados.

É sobre perceber que todos eles têm interesses.

Mas enquanto alguns tentam nos vender o sonho, outros estão nos cutucando pra acordar.

E talvez seja isso o que a China está tentando fazer:

nos lembrar que o sistema também mente.

Que o luxo também manipula.

E que a vitrine pode até brilhar…

mas às vezes, é só reflexo de um mundo que preferiu se esconder atrás do vidro.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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