
Tem dias em que a gente acorda com vontade de ficar. Ficar em silêncio, ficar na nossa, ficar longe de tudo que pesa. Mas aí lembra que é Páscoa. Que tem almoço em família. Que tem presença marcada, cadeira reservada, e uma parte nossa que quer — apesar de tudo — estar lá.
Mas a verdade, que nem sempre a gente posta no feed, é que nem todo mundo à mesa traz leveza.
E tudo bem.
Tem gente que chega e a energia muda.
Não porque a gente é rancorosa, mas porque o corpo lembra o que a alma ainda não conseguiu esquecer.
Tem olhar que atravessa, tem sorriso que engana, tem conversa que machuca sem levantar a voz.
E a gente vai assim mesmo.
Com a roupa que fortalece.
Com o perfume que protege.
Com o coração blindado de quem já aprendeu a sorrir sem se entregar.
Porque tem fases em que o perdão ainda não veio — e não é falta de fé, é excesso de verdade.
E tudo bem também.
A ressurreição, às vezes, não acontece com luz e trombetas.
Às vezes ela é só um fio de paz puxado em silêncio no meio do caos.
É estar onde te feriram e ainda assim escolher não ferir de volta.
É não ceder ao jogo, mas também não sair da mesa.
É renascer aos poucos, só com o que ainda vale a pena.
Então, pra quem sente parecido:
te entendo.
Hoje, renasce só o que é seu.
O resto, você não precisa carregar.
Feliz Páscoa com leveza possível.
– b. monma