Capítulo 6- O corpo nas gerações: entre contenção, culto e desconexão

O corpo nunca foi só carne.

Sempre foi política, promessa, punição e, em alguns casos, a única forma de ser visto.

Cada geração foi ensinada a habitar o próprio corpo de um jeito.

E quase nenhuma foi ensinada a habitá-lo com paz.

🪶 Geração Silenciosa (1928–1945): o corpo como ferramenta de sobrevivência

Corpo era força de trabalho.

Era silêncio.

Era algo a ser coberto, contido, disciplinado.

O prazer era pecado. O toque era funcional.

Não havia autocuidado, havia higiene.

Não se falava sobre o corpo — apenas se suportava.

⛓️ Baby Boomers (1946–1964): o corpo como dever moral

Cresceram ouvindo que “menina se comporta assim” e “homem de verdade não chora”.

O corpo era um território controlado.

A sexualidade era tabu. A estética, um padrão rígido.

Tudo que fugia da norma era chamado de indecência ou fraqueza.

Essa geração carregou o corpo com vergonha e culpa — e repassou isso com rigidez disfarçada de educação.

💪 Geração X (1965–1980): o corpo como campo de conflito

Viram o surgimento da indústria fitness, das dietas da moda, das revistas com “corpo ideal”.

Começaram a falar sobre autoestima — mas também foram soterrados pela comparação.

Tentaram equilibrar saúde com produtividade.

Mas muitos ainda não conseguem descansar sem culpa.

Corpo bom é corpo que aguenta.

💥 Millennials (1981–1996): o corpo como manifesto e burnout estético

Querem aceitar o próprio corpo — mas foram criados pela geração da culpa.

Fazem skincare, meditam, tomam colágeno, mas vivem esgotados.

São bombardeados por corpos perfeitos no Instagram enquanto tentam praticar amor-próprio com pressa.

Lutam contra padrões — e, às vezes, se rendem a eles com filtro.

Querem leveza. Mas muitas vezes sentem que habitam um corpo cansado de tentar.

🪞 Geração Z (1997–2012): o corpo como avatar editável

Nunca conheceram o corpo sem espelho digital.

Se olham pela câmera frontal e pelas curtidas.

Falam sobre aceitação — mas vivem entre filtros, procedimentos e comparações virais.

Querem liberdade corporal, mas vivem vigiados.

O corpo é expressão, mas também performance.

E o “seja você mesmo” virou mais uma estética pra seguir.

🤖 Geração Alfa (2013 em diante): o corpo ainda sem tempo

Ainda estão crescendo. Mas já aprendem a posar pra foto antes de entender o que sentem.

Vão precisar ser lembrados de que corpo não é só imagem.

Que ele adoece. Que ele sente. Que ele cansa.

E que não precisa ser perfeito pra ser cuidado.

O corpo é o lugar onde a geração se imprime.

Onde os traumas familiares fazem morada.

Onde a sociedade cobra, controla, cancela.

Onde, às vezes, a alma grita sem saber como sair.

Talvez o maior gesto de resistência seja ensinar:

O corpo não precisa performar.

O corpo pode apenas existir.

E existir já é sagrado.

-b.monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

3 comentários em “Capítulo 6- O corpo nas gerações: entre contenção, culto e desconexão

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