
Sempre me acharam meio patricinha. Daquelas que usam brinco combinando com o look, que parece que nunca está descabelada e tem uma bolsa que fala por ela. E talvez eu seja mesmo. Meio patricinha. Meio louca. Meio certinha demais. Um Frankenstein feito de gloss, metas e crises existenciais.
É que eu sou um pouquinho de tudo. E ao mesmo tempo, não sou nada do que pensam.
Tem gente que me vê chegando e já inventa a história toda.
“Essa aí é metida.”
“Deve achar que é melhor que todo mundo.”
“Não fala com ninguém, se acha.”
Mas ninguém considera a hipótese mais óbvia: eu sou tímida. Só isso.
Não é pose. É defesa. Não é nariz empinado. É receio.
Porque pra me aproximar de alguém, eu preciso sentir um certo tipo de segurança que não dá pra explicar. Não é sobre ser simpática de cara. É sobre observar primeiro. Sentir o campo. Entender a frequência. Eu sou daquelas que só floresce quando o clima é favorável. Que só se entrega quando sente que pode ser ela mesma sem virar piada.
E, ironicamente, quando eu deixo alguém entrar, descobre que eu sou legal. Que dou risada alto, que falo besteira, que tenho fé em Deus, que invento teorias sobre o universo e que passo horas ouvindo música como se estivesse vivendo um videoclipe dramático. Uma patricinha introspectiva, existencialista e levemente caótica.
Mas isso, só quem fica, vê.
A maioria desiste no primeiro capítulo, achando que já entendeu a história inteira.
E talvez aí esteja a moral: tem gente que só lê o título e já sai falando da autora.
– b. monma
O que interessa é que se sinta bem na sua pele. Deus que é Deus não agrada a todos.
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Amei e me identifiquei muito!
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