Sobre o caminho certo

Sabe o que me atormenta às vezes? Esse medo bobo de estar indo pelo caminho errado.

Como se existisse uma placa em algum lugar escrito “Bruna, é por aqui, sua tonta” e eu, claro, tivesse passado direto porque estava distraída pensando no que sentir.

Eu queria um Waze da alma, com voz suave me dizendo:

— Em 200 metros, abrace sua coragem.

— Mantenha-se à esquerda e continue sonhando.

— Recalculando…

Mas não tem. O que tem é esse coração que bate meio torto, mas insiste em me empurrar pra frente.

Mesmo quando tudo parece dar errado, mesmo quando o corpo cansa, ele sussurra baixinho: continua.

E eu continuo. Meio sem entender, meio tropeçando, mas continuo.

Descobri que a tal direção certa não tem nada a ver com o cenário.

Às vezes você tá quebrada, falida, sozinha — e ainda assim, estranhamente, sente paz.

Porque tem algo alinhado lá dentro que o mundo de fora não consegue medir.

Outras vezes, tá tudo lindo no Instagram, mas por dentro mora um buraco que engole qualquer felicidade.

E é aí que percebo: o caminho certo não é o mais fácil, nem o mais florido. É só aquele onde o passo seguinte faz sentido, mesmo quando não faz.

Então não, não tem certeza.

Tem só uma sensação esquisita de estar viva, indo.

E isso, talvez, seja o único GPS que importa.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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