Tem dias que eu quero largar tudo.
E tem dias que eu quero largar tudo com estilo: com um passaporte na mão, uma mala pequena e uma ausência imensa de obrigações. Um lugar onde ninguém sabe meu nome. Onde eu não tenha que ser a filha de ninguém, a amiga de ninguém, a Bruna de ninguém. Um lugar onde eu só exista — crua, sem edição, sem legenda.
Porque às vezes, tudo o que a gente precisa pra se encontrar… é se perder bem longe.
Já pensei em repetir o roteiro:
Comer na Itália, porque a boca também chora.
Rezar no Butão, porque lá o tempo passa mais devagar e Deus parece mais acessível.
E amar em Ubud, porque dizem que lá o espírito parece comigo — introspectivo, bonito sem esforço, e às vezes meio perdido entre o chão e o céu.
Mas a verdade é que eu não estou buscando um lugar. Estou buscando a mim mesma.
E isso muda tudo.
Não tem GPS pra isso.
É um caminho pra dentro — e ele exige silêncio.
O silêncio me cura.
Não aquele constrangido de sala de espera, mas o silêncio corajoso de quem encara os próprios pensamentos sem anestesia. De quem senta com a alma e pergunta:
“Você tá bem?”
E espera a resposta vir em ondas.
Minha Índia pessoal tem sido esse intervalo estranho entre a adolescência que insiste em voltar e a vida adulta que não espera ninguém. Um espaço onde ainda tô aprendendo a cuidar de mim, enquanto o mundo me cobra estabilidade, respostas e um endereço fixo.
O que me segura?
Meditar. Orar. Escutar áudio frequências como quem toma banho de som.
E entender que a mente é um cachorro bravo: ou você treina, ou ela te morde.
Sobre o amor…
Eu já tive medo. Mas nunca deixei de pular. Eu pulo com medo mesmo, com a cara borrada, com o coração remendado. Porque acredito no amor como ponto de passagem.
Ele vem, deixa algo, e às vezes vai.
Mas nunca passa em vão.
E eu sei que só amei de verdade quando já tinha me encontrado primeiro.
Quando parei de pedir para que me salvassem. Quando aprendi a me abraçar sozinha.
A cena que mais me toca é aquela em que a Elizabeth diz:
“Eu quero ir a um lugar onde eu possa me maravilhar de novo.”
E eu entendo. Porque tem dias em que tudo o que a gente quer é isso: se maravilhar de novo. Por dentro, por fora, por todos os lados.
E se um dia você me vir andando sozinha por algum lugar no mapa, saiba que eu não tô fugindo.
Tô voltando pra mim.
– b. monma
Gostei da sua reflexão mas eu não consigo gostar do filme ahahahha
CurtirCurtido por 1 pessoa