Ninguém sabe o que tá fazendo (tem estudos sobre isso, juro)

Ninguém sabe o que tá fazendo.

Sério. Nem eu, nem você, nem aquele teu conhecido que parece ter a vida perfeita no Instagram. No fundo, tá todo mundo improvisando. Uns mais desastrados, outros melhores na arte de fingir.

Eu, por exemplo, já dei o maior mico da história recentemente: dei tchau pra alguém que não tava dando tchau pra mim. E fiquei lá, com a mão semi-erguida no ar, tentando disfarçar o constrangimento do meu próprio fracasso social. Parecia idiota, e foi mesmo. Mas quer saber? No dia seguinte, ninguém mais lembrava — só eu, claro, repassando a cena dez vezes antes de dormir.

Também tenho o péssimo hábito de surtar com quem eu amo só por achismos. Crio roteiros inteiros na minha cabeça, dignos de série dramática, e depois descubro que nem era nada daquilo. A pessoa tava só cansada, ou distraída, ou pensando no preço do tomate, sei lá. E eu lá, ensaiando discursos indignados no chuveiro.

Me comparo com tudo e todos. Às vezes até com a vizinha que nem conheço, só porque ela passou de roupa de ginástica e eu tava de moletom velho. Mas tenho tentado me policiar. Sabe por quê? Porque vi um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology mostrando que a maioria das pessoas superestima o quanto os outros prestam atenção nelas. Chama-se spotlight effect — a sensação de que o mundo inteiro tá reparando em cada detalhe seu, quando na real todo mundo tá ocupado demais pensando nas próprias crises existenciais.

Também tem a ilusão da transparência, outro fenômeno psicológico: a gente acha que todo mundo percebe nossas inseguranças, mas na prática, ninguém tá vendo nada. Tá cada um lidando com seu próprio caos interno, suas próprias paranoias, seus próprios “e se”.

Então, pegando emprestado meu tom INFJ de autoajuda meio torta: pega leve com você.

Vai dar mico, vai ter surto baseado em teoria errada, vai se comparar com quem não deveria. Mas lembra: ninguém tá imune. Ninguém sabe exatamente o que tá fazendo. Tamo todo mundo só tentando não tropeçar — ou pelo menos tropeçar com alguma dignidade.

-b.monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

2 comentários em “Ninguém sabe o que tá fazendo (tem estudos sobre isso, juro)

  1. Essa frase tem tantas camadas! Eu concordo super, a gente fica lá achando que as pessoas são incríveis quando estão improvisando, errando e aprendendo assim como a gente. Tá todo mundo dando o melhor (ou pelo menos tentando). Que loucura!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim! Essa é justamente a parte mais louca e bonita de tudo isso: ninguém sabe o que tá fazendo, mas tá todo mundo tentando — do seu jeito, com suas dores, tropeços e coragem. A gente acha que os outros têm a resposta, mas no fundo, estamos todos navegando no mesmo mar incerto, aprendendo a remar enquanto a onda bate. Obrigada por captar isso com tanta sensibilidade 🌊✨

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora