Empreender, pra mim, não é só sobre vender.
É sobre sobreviver.
Eu achava que o mais difícil seria montar CNPJ, entender imposto, negociar com fornecedor, tentar fazer o cliente entender que picanha não é filé mignon. Achava que o terror viria em forma de boleto. Boba eu.
O verdadeiro filme de terror tem nome: gestão de pessoas.
E olha que ironia… Quando eu fazia Direito — sim, fiz dois anos e meio acreditando que ia mudar o mundo com uma boa petição inicial — eu achava a área trabalhista uma das mais injustas.
Hoje eu me pergunto: injusta pra quem mesmo?
Talvez injusta pra quem contratou com toda a fé no ser humano e acabou levando calote de horário, desvio de função, e de brinde ainda virou vilã da história.
Porque aqui é assim: você dá uniforme, dá confiança, dá feedback, dá oportunidade — e quando vê, tá tomando no CPF.
Mas o que pega mesmo, o que me esgota, é que eu sou empática. INFJ, obrigada. Do tipo que tenta entender o que o outro tá sentindo antes mesmo dele saber.
Do tipo que escuta um “bom dia” meio torto e já pensa: será que ele tá bem? será que dormiu mal? será que odeia o trabalho, a vida, ou só a minha cara mesmo?
E aí você tenta.
Chama pra conversar, fala com jeito, oferece ajuda, ajusta horário, tenta equilibrar justiça e empatia como se tivesse num tribunal de ética invisível.
Mas basta acessar as câmeras, e adivinha? Pega diálogos surreais dignos de novela das seis:
“Aqui ninguém faz nada direito.”
“Patroa nem aparece.”
“Fulano é puxa-saco, só se dá bem por causa disso.”
“A empresa é uma bagunça.”
E é nessa hora que você respira fundo. Porque no dia seguinte você vai estar lá. Com a energia no talo. Cumprimentando um por um, sorrindo com os olhos, como se não tivesse escutado absolutamente nada. Porque, infelizmente (ou felizmente?), você não nasceu com aquele chip da indiferença.
Você quer fazer dar certo. Quer um ambiente bom. Quer que todo mundo cresça junto.
Mas tem dia que dá vontade de gritar: me contratem como funcionária, por favor?
Empreender, no fim, é isso:
Ser acusada de “dura demais” por quem não cumpre horário.
Ser chamada de “boazinha demais” por quem quer sangue.
E continuar ali, tentando o equilíbrio impossível entre ser justa e não enlouquecer.
Mas seguimos.
Com fé em Deus, na CLT e em uma câmera que grava o som ambiente.
– b. monma