Às vezes eu assisto séries de época para esquecer da vida, mas acabo lembrando demais.
Comecei a rever The Tudors. Um desfile de coroas pesadas carregadas por gente leve demais. Um mundo governado por impulsos de homens que confundiam poder com permissão divina, e vaidade com destino.
E enquanto eu via inocentes sendo arrancados da própria história, percebi uma coisa incômoda: a evolução do mundo sempre custou caro demais e quase nunca foi paga por quem mandava.
Reis, rainhas, conselheiros, cortesãos… a minoria mais barulhenta decidindo a vida da maioria mais silenciosa.
Séculos de avanço construídos à base de caprichos infantis, egos inflamados e desejos que nunca deveriam ter se tornado lei. E o mais triste é perceber que esse padrão nunca acabou.
Ele só trocou o figurino.
Hoje os tronos são cadeiras de diretoria, gabinetes, plataformas digitais, algoritmos invisíveis. A corte é feita de gente que decide o destino do mundo enquanto assina contratos em salas com ar-condicionado.
A liberdade que a gente acha que tem? Decoração. Enfeite de vitrine. Uma ideia bonita colocada ali para ninguém desconfiar da estrutura por trás.
E aí eu fico pensando: como é injusto existir em um planeta onde tão poucos definem tanto. Como é violento viver sob sistemas criados por pessoas que nunca precisaram sentir na pele o peso das decisões que tomam.
Mas há uma fresta, sempre há. Mesmo nos tempos de enforcamentos públicos, havia quem enxergasse o absurdo. Mesmo nas épocas de coroas sanguinárias, havia quem percebesse a farsa. Mesmo quando todo mundo obedecia, havia alguém que pensava.
Talvez a verdadeira evolução venha desses olhos que veem, não das mãos que mandam. Do desconforto. Da consciência. Da recusa silenciosa em aceitar a história como ela veio escrita.
E talvez… talvez continuar questionando seja a forma mais profunda de liberdade que existe.
– b. monma✨
Ah amiga, não estás só nesse questionamento. O pensador Jean Paul Sartre também se questionou. Ele definiu liberdade como «sentimento do nada» que é quando estamos conscientes do que não somos e sentimos angústia. Mas, eu acredito que a liberdade é ser quem somos sem medo. Gostei muito do que escreveu. Beijinho!
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Gosto dessa tensão entre angústia e coragem.
Talvez a liberdade não seja ausência de medo, mas a decisão de não se diminuir para caber nele. Obrigada por ler com tanta atenção. Bjss!
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