O Peso do Mundo e Outros B.O.s

Outro dia acordei com uma certeza: estou exausta de carregar o mundo nas costas. E antes que você me pergunte “mas quem te deu essa missão?”, já adianto que ninguém deu. Peguei por conta própria. Fui lá e me servi de um pratão de responsabilidades emocionais, existenciais e financeiras, tudo regado a um molho agridoce de dúvidas sobre o futuro e um toque de saudade do que ainda não vivi.

Tem gente que sente saudade do que já foi. Eu sinto do que nem aconteceu ainda. Eu e minha mania de romantizar o porvir, como se meu futuro fosse um roteiro bem escrito da HBO e não uma sequência aleatória de surpresas (na maioria das vezes, pouco cinematográficas).

E tem mais. Além de carregar esse mundo que nem me pediu carona, ainda tive a audácia de achar que eu ia conseguir escrever algo genial hoje. A musa inspiradora deve ter olhado pra mim e falado: “gata, hoje não”.

Aí vem aquele papo: “mas você precisa descansar”. Claro. Descansar entre um boleto e outro, entre uma meta e um sonho adiado. Vou tirar férias, sim. Uns 15 minutinhos deitada no chão olhando pro teto, refletindo se foi uma boa ideia essa coisa de crescer e virar adulta.

O problema é que, quando a gente se sente assim, sempre aparece um guru do otimismo pra dizer que é só confiar no processo. O processo, no caso, parece uma esteira de academia que não desliga nunca. E eu? Correndo de meia escorregadia.

Mas aí, no meio desse dramalhão digno de novela mexicana, lembrei que já passei por coisas piores e sobrevivi. Lembrei que a vida tem uns respiros, umas brechas, uns dias bons. Lembrei que, às vezes, não é preciso fazer nada além de aceitar que hoje é um dia meio cinza. Porque até os dias cinzas têm seu charme.

Então, se você também tá carregando um planeta nas costas, deixa eu te contar um segredo: ninguém te pediu isso. Pode devolver pra órbita. E se for o caso, tira uns minutinhos pra deitar no chão e encarar o teto. Dizem que é lá que moram algumas das melhores respostas.

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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