
Nenhuma geração escapou do trabalho — mas cada uma foi ensinada a lidar com ele de um jeito.
Para algumas, era honra. Para outras, mal necessário. Para algumas, destino. Para outras, prisão com Wi-Fi.
No fundo, todas tentam responder à mesma pergunta:
Quanto da minha vida eu preciso entregar pra valer a pena?
🧱 Geração Silenciosa (1928–1945): trabalhar para sobreviver
Essa geração não tinha escolha.
Trabalho era um privilégio — e muitas vezes um castigo também.
Serviam, obedeciam, produziam. O sonho era ter carteira assinada e comida no prato.
Se havia insatisfação, ninguém dizia. Se havia injustiça, se engolia.
Não havia terapia — havia cansaço. E ponto final.
🧰 Baby Boomers (1946–1964): trabalhar para vencer
A geração da ascensão.
Foram educados pra “ser alguém na vida” — e esse alguém vestia terno e batia ponto.
Investiram em estabilidade, plano de carreira, aposentadoria.
O trabalho era identidade.
Desemprego era vergonha.
E muitos ainda olham pra filhos autônomos com um ar de “isso aí não é vida”.
Não entendem home office, mas respeitam quem acorda cedo.
🧑💻 Geração X (1965–1980): trabalhar para garantir o seu
Filhos de pais frustrados, netos de sobreviventes.
Aprenderam a não depender de ninguém. A serem práticos.
Foram os primeiros a contestar o sistema — mas entraram nele mesmo assim.
Têm um certo orgulho da independência financeira,
mas muitos ainda se perguntam se tudo isso valeu o desgaste emocional que não deu tempo de sentir.
💻 Millennials (1981–1996): trabalhar com propósito (ou surtar tentando)
A geração que cresceu ouvindo “faça o que ama e nunca mais trabalhará um dia”.
Spoiler: trabalhar com o que ama cansa o dobro.
São criativos, inquietos, exaustos.
Empreendem, inovam, se cobram.
São os reis do burnout e das planilhas emocionais.
Querem liberdade — mas foram criados pra performar.
Querem propósito — mas o boleto chega antes.
🧃 Geração Z (1997–2012): trabalhar sem perder a alma
Já nasceram desconfiando do sistema.
Não querem ser engrenagem. Querem sentido.
São multitarefa, autodidatas e altamente questionadores.
Recusam ambientes tóxicos, mas ainda não sabem lidar com frustração.
Querem tudo rápido — inclusive realização.
E talvez o maior dilema da Gen Z seja:
como conquistar estabilidade sem abrir mão de ser feliz agora?
🤖 Geração Alfa (2013 em diante): o que será trabalhar?
Ninguém sabe ao certo.
Mas uma coisa é clara: não vão aceitar as regras antigas.
Podem crescer programando IA antes de escrever com letra cursiva.
Não vão querer chefe.
Talvez nem saibam o que é uma sala de reunião.
Talvez trabalhem com hologramas, NFTs emocionais ou curadoria de tempo.
Mas uma coisa é certa: vão olhar pro nosso modelo de trabalho com espanto.
E talvez com pena.
Entre fardos e sonhos, cada geração tentou dar conta do mesmo peso: ser útil.
Mas o que chamamos de utilidade muitas vezes é só uma forma socialmente aceita de se esgotar.
E talvez o novo trabalho não seja sobre produtividade.
Talvez seja sobre presença.
Sobre fazer algo que não anule quem você é — nem tire tudo de você pra ser alguém.
Talvez trabalhar bem seja, no fim, só um jeito mais gentil de seguir existindo com dignidade.
-b.monma
Opa, é uma série. Este também dá pra levar pra sala de aula. Mesmas perguntas valendo. Rsrrsrsrs
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Oi, Estevam! Sim, é uma série autoral — construída a partir de reflexões pessoais, escuta ativa entre gerações e influências de autores como Bauman, Byung-Chul Han e Bourdieu.
Pode usar em sala de aula à vontade e indicar o blog como fonte. Fico muito feliz com o interesse! 🙂
– Bruna Monma
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Mais uma vez obrigado e parabéns pela bela e profunda série.
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