Capítulo 7- Quem vai salvar o mundo? – Entre culpa, esperança e legado

Cada geração carrega um fardo invisível:

o de consertar o que a anterior deixou — e o de não fracassar como a próxima talvez veja.

O planeta está quente. A saúde mental, em ruínas. Os vínculos, frágeis.

E no meio disso tudo, há uma pergunta que ninguém faz em voz alta, mas todo mundo sente na pele:

Quem vai salvar o mundo?

A Geração Silenciosa tentou sobreviver.

Fez o possível com o pouco que tinha.

Criou filhos, guardou mágoas, reconstruiu ruínas e achou que bastava.

Não salvou o mundo — salvou o pão.

Os Baby Boomers quiseram vencer.

Acreditaram no progresso, mas, às vezes, à custa de tudo.

Legaram concreto, estrutura e também rigidez.

Criaram regras para o que era ser feliz.

E deixaram um mundo em colapso emocional, embora economicamente mais sólido.

A Geração X tentou equilibrar.

Questionou, mas também se conformou.

Quis liberdade, mas teve que pagar boletos.

Viu que o mundo era maior que o próprio umbigo — mas não soube muito bem o que fazer com isso.

Os Millennials arregaçaram as mangas.

Criaram ONGs, startups, podcasts, terapias e colapsos.

Carregam culpa por tudo: por comer carne, por não meditar, por não conseguir salvar o planeta nem a própria sanidade.

São a geração do “faça a sua parte” — mesmo que a parte deles seja 80%.

A Geração Z já nasceu pressionada.

O mundo já estava pegando fogo — literal e simbolicamente.

Sabem de tudo, mas não sabem pra onde correr.

São engajados, criativos, conscientes — mas estão cansados antes dos 25.

Querem salvar o mundo. Mas também só queriam dormir em paz.

A Geração Alfa…

Ainda não sabemos.

Mas talvez, se a gente parar de repassar trauma como se fosse herança,

eles não precisem salvar nada.

Apenas viver.

Nenhuma geração vai salvar o mundo sozinha.

Mas todas podem fazer alguma coisa.

Talvez o mais revolucionário seja ensinar a próxima a viver sem carregar o peso de um planeta inteiro nas costas.

A viver com presença. Com cuidado. Com limites.

E a entender que salvar o mundo começa, sempre, por dentro.

-b.monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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