Às vezes acho que estou no meio de uma travessia estranha: entre a mulher que esperaram que eu fosse e a mulher que eu, teimosa, decidi ser.
É um caminho meio solitário, confesso. Porque a cada passo deixo pra trás uma expectativa, um rótulo, uma conveniência que fazia minha vida caber melhor nos olhos dos outros.
Mas não tem como carregar tudo.
E eu cansei de andar torta só pra caber.
O problema é que, vez ou outra, me pego duvidando: será que estou mesmo me libertando ou só arrumei outro jeito de sabotar o que poderia ter dado certo?
Porque a sombra é ardilosa.
Ela se disfarça de coragem quando é fuga.
Veste a fantasia de autenticidade quando é só medo de intimidade.
Por isso eu vivo me perguntando: isso vem do meu centro ou é só o meu ressentimento fantasiado de revolução?
É luz ou é só mais um jogo do ego tentando não sofrer?
No fundo, acho que crescer é isso: aprender a distinguir o que é escolha genuína do que é só reação.
E ter paciência pra lidar com o tanto de vezes que a gente vai errar a mão.
Mas tudo bem.
Porque ser quem decidir ser, ainda que tropeçando, já é infinitamente mais honesto do que seguir o script de alguém que não sou eu.
– b. monma