Sobre sentir demais (e organizar o caos)

Tem dias que eu acordo carregando o mundo nas costas.

E nem é força de expressão — sinto mesmo o peso do que não é meu:

a dor do outro, o medo coletivo, as tragédias que nem aconteceram mas eu já sofro por antecipação.

Ser sensível é bonito na bio do Instagram, mas na prática é um baita fardo.

Porque quem sente demais vive no risco de se confundir.

E eu, que tenho essa mania besta de abraçar dores que não são minhas, às vezes me perco nesse emaranhado.

Ando aprendendo, na marra, a colocar cada coisa na sua prateleira.

Separar o que é meu, o que é do outro, o que é do passado e o que é só um filme ruim que minha cabeça inventou.

É quase um ritual: escrevo num papel, converso comigo mesma como se fosse outra pessoa e pergunto —

“Bruna, isso aqui é seu mesmo? Ou você só pegou pra segurar porque odeia ver espaço vazio?”

E olha, tem sido libertador descobrir que boa parte do que me pesa nem me pertence.

Não é frieza, não é egoísmo.

É só a consciência de que pra ter colo pro outro, primeiro preciso não desmoronar.

No fim das contas, amar o mundo também é isso: saber a hora de não carregar tudo.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

2 comentários em “Sobre sentir demais (e organizar o caos)

    1. Eduardo, que comentário bonito o seu.
      Obrigada por me encontrar nesse lugar meio bagunçado, mas sincero, onde sentir demais é quase regra.
      Sim, às vezes exagero, às vezes preciso, às vezes só escrevo pra não transbordar sozinha.
      Mas saber que do outro lado tem alguém que compreende já torna tudo mais leve.

      Seja muito bem-vindo ao blog.
      Espero que ele te abrace nos dias bons e, principalmente, nos dias caóticos.

      – b. monma

      Curtido por 1 pessoa

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