(Sobre viver em alta rotação num mundo que não sabe mais parar)
Não é uma impressão isolada.
Está no ar.
No comércio, nas conversas rápidas, nos silêncios longos, nas mensagens que demoram mais para ser respondidas, nos olhos que perderam um pouco do brilho.
Até quem não sabe explicar direito só repete a mesma palavra: cansaço.
É curioso — e triste — perceber como essa exaustão não mora no corpo, mas na cabeça.
É ali que tudo pesa.
Pensamentos acumulados, expectativas empilhadas, decisões nunca concluídas, comparações infinitas.
Um ruído constante que não desliga nem quando o mundo lá fora silencia… porque o mundo lá fora não silencia nunca.
A cidade não para.
As notificações não param.
O tempo não para.
E, por dentro, tudo parece implorar por pausa.
A ciência chama isso de sobrecarga cognitiva.
Nos últimos anos, estudos em neurociência e psicologia vêm mostrando que o cérebro humano não foi feito para lidar com tamanha quantidade de estímulos, escolhas, cobranças e informações simultâneas.
O excesso de redes sociais, a cultura da produtividade e a lógica da comparação constante ativam continuamente os sistemas de estresse do cérebro, elevando níveis de cortisol, prejudicando a memória, a atenção e o próprio senso de identidade.
Em outras palavras: não é fraqueza.
É fisiologia.
Existe também um nome para essa sensação de que todo mundo está sempre atrasado na própria vida: ansiedade temporal.
Uma percepção contínua de que o tempo está passando mais rápido do que a nossa capacidade de acompanhar.
A promessa silenciosa de que precisamos estar bem, dando certo, produzindo, vencendo — cedo, de preferência — sem nunca parar para perguntar: a que custo?
As redes sociais amplificam tudo isso.
Elas não mostram vidas; mostram recortes editados de sucesso, felicidade e estabilidade.
E o cérebro, que não distingue bem o real do exibido, aprende a se sentir insuficiente diante de um padrão que simplesmente não existe.
No meio desse barulho todo, surge o fenômeno que os pesquisadores chamam de fresh start effect: essa vontade quase desesperada de recomeçar — no ano novo, na segunda-feira, no mês que vem, na próxima fase da vida.
O cérebro busca marcos no tempo porque precisa acreditar que existe uma separação possível entre quem fomos e quem ainda podemos ser.
Mas recomeçar, na prática, dói.
Porque exige que a gente abandone versões de nós mesmos que já não cabem mais na história.
E despedidas internas também cansam.
Talvez por isso esteja todo mundo tão exausto.
Não é apenas trabalho.
É existência em alta rotação.
É viver sob uma pressão silenciosa para funcionar sem falhas num sistema que não respeita ritmos humanos.
E, mesmo assim, aqui estamos.
Cansados, mas conscientes.
Exaustos, mas ainda procurando sentido.
Talvez o primeiro ato de revolução hoje seja simples e quase invisível:
diminuir o volume do mundo para conseguir ouvir a si mesmo.
Não resolve tudo.
Mas alivia.
E, nesse tempo em que tanta coisa pesa,
um pouco de alívio já é muito.
— b. monma ✨
Se puderes, veja o post , Babel – Pos-moderno – O Retorno!
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Prezada, Bruna, Se puderes veja no meu blog @guardiaodafloresta.wordpress.com BABEL – POS-MODERNO – O RETORNO. E veja se coaduna com o seu post Exausto? Atenciosamente, Gaspar da Silva Alencar Servidor Publico, Escritor, Pesquisador e Produtor Cultural (86) 99555-0909.
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Gaspar, muito obrigada pela leitura atenta e pela indicação do seu texto.
Li alguns trechos e sinto, sim, que há uma sintonia profunda no incômodo que nos move: essa sensação coletiva de esgotamento, de distorção de sentidos e de um sistema que opera mais pelo cansaço do que pela consciência.
Seu texto amplia a conversa por um viés potente (social, simbólico e espiritual) que dialoga muito com as perguntas que me atravessaram ao escrever.
Que bom quando a escrita cria pontes assim.
Seguimos em troca.
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Ótimo!
Uma sacada genial!
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Olá Bruna, Solicitamos vossa autorização para repostar o texto no meu blog? Atenciosamente, Gaspar da Silva Alencar Servidor Publico, Escritor, Pesquisador e Produtor Cultural (86) 99555-0909.
Em sáb., 27 de dez. de 2025, 18:07, Gaspar Alencar < gaspargeografo343@gmail.com> escreveu:
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Olá, Gaspar, bom dia!
Fico muito honrada com o interesse em republicar o texto, e autorizo, sim, a publicação no seu blog.
Peço apenas que, ao repostar, constem os devidos créditos com meu nome e o link para o texto original no meu blog.
Agradeço imensamente pela leitura atenta e pela troca, que a escrita siga encontrando novos caminhos e leitores.
Um abraço,
Bruna Monma
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Sem sombras de dúvidas – não podemos nos darmos ao luxo de seguir na correnteza ou contra correnteza sem fontes autênticas. O jornalismo corporativo é mestre nisso. Tocar fogo e não saber quem provocou a ignição! Abraço!
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Concordo plenamente, Gaspar.
A ausência de fontes e de discernimento crítico é, hoje, uma das formas mais sutis de manipulação coletiva. Muitas vezes o barulho se propaga sem que se compreenda a origem do incêndio e isso alimenta exatamente o estado de exaustão que tento nomear no texto.
Seguimos, então, na tarefa talvez mais difícil: pensar, sentir e escrever com responsabilidade, mesmo quando o mundo prefere atalhos.
Abraço!
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De olhos bem abertos!
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Very good! Please to meet!
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Thank you so much!
It’s a pleasure to meet you too. I’m glad the text resonated with you ✨
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” Recolher se de si…e de outros…É medida de buscas…nunca na fuga das drogas sem limite da completudes em si, no outro, e em Deus.”
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Sim… talvez o maior antídoto para esse cansaço seja justamente isso: aprender a voltar para dentro, com mais presença e menos fuga. Obrigada por compartilhar.
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