Você se lembra da vida sem Internet?
O mundo parecia menor, mas a vida parecia maior.
O tempo passava devagar, as tardes tinham duração de eternidade. A gente sabia o horário pelo céu, não pela bateria do celular.
Ouvia-se criança brincando na rua, vizinho chamando no portão, telefone tocando na sala. Silêncio de verdade.
As pessoas eram mais autênticas, porque não precisavam performar o tempo todo. A comparação existia, mas não morava no bolso.
Ninguém precisava transformar tristeza em estética, nem felicidade em prova. As coisas simplesmente aconteciam e ficavam só entre quem viveu.
As pessoas se olhavam nos olhos, prestavam atenção nas pausas. Aprendiam a conviver com o tédio, e talvez por isso imaginassem mais.
Hoje temos o mundo inteiro na palma da mão
e, ainda assim, quase ninguém consegue permanecer inteiro.
– b. monma