Sim, me lembro.

Você se lembra da vida sem Internet?

O mundo parecia menor, mas a vida parecia maior.

O tempo passava devagar, as tardes tinham duração de eternidade. A gente sabia o horário pelo céu, não pela bateria do celular.

Ouvia-se criança brincando na rua, vizinho chamando no portão, telefone tocando na sala. Silêncio de verdade.

As pessoas eram mais autênticas, porque não precisavam performar o tempo todo. A comparação existia, mas não morava no bolso.

Ninguém precisava transformar tristeza em estética, nem felicidade em prova. As coisas simplesmente aconteciam e ficavam só entre quem viveu.

As pessoas se olhavam nos olhos, prestavam atenção nas pausas. Aprendiam a conviver com o tédio, e talvez por isso imaginassem mais.

Hoje temos o mundo inteiro na palma da mão
e, ainda assim, quase ninguém consegue permanecer inteiro.

– b. monma

Publicado por Bruna Monma

Escritora e criadora de projetos autorais. Escrevo crônicas, reflexões e narrativas sobre identidade, tempo e o que não cabe em legendas. Acredito na palavra como forma de presença.

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