Ando pensando se sou mesmo tão livre quanto gosto de me achar.
Porque, olha só, a teoria é linda: você faz suas próprias escolhas, constrói sua vida, dirige seu destino.
Mas aí eu paro e penso: até que ponto sou eu mesma que escolho? E até que ponto sou apenas um monte de vozes antigas disfarçadas de vontade?
Quantos “sim” eu dei pra não decepcionar? Quantos “não” engoli pra não perder quem eu achava que precisava?
Quantos sonhos são meus de verdade — e não do roteiro invisível que escreveram pra mim lá atrás, antes mesmo de eu aprender a falar?
É doido perceber que carrego não só meus traumas, mas também expectativas ancestrais.
Que, às vezes, não sou só filha da minha história, mas bisneta do medo da minha avó, tataraneta do silêncio que a família inteira preferiu.
É por isso que eu me pergunto o tempo todo: isso vem da minha essência ou do meu ressentimento?
É impulso ou é repetição? É coragem ou só um jeito bonito de continuar fugindo?
No fim, continuo escolhendo.
Porque não dá pra parar a vida pra fazer terapia por tempo indeterminado (embora eu bem gostaria).
Mas pelo menos agora, a cada passo, questiono: quem tá decidindo por mim? Meu coração ou meus fantasmas?
E acho que só de perguntar já começo a quebrar o feitiço.
– b. monma
Este ano meu melhor amigo me deu de presente um livro com 52 perguntas baseadas na obra de Clarice Lispector e a pergunta que estou tentando responder essa semana é “você se sente preso(a) a questões de um passado anterior a você? De que maneira elas se manifestam?”. Esse seu texto me trouxe algumas reflexões que podem me ajudar a chegar na resposta. Obrigada!
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Que coisa mais especial esse presente que você ganhou! 💛 Adorei saber que meu texto se encontrou com a sua pergunta da semana. Acho que todos nós, em alguma medida, nos vemos presos a passados (sejam nossos ou herdados), e eles se manifestam de jeitos diferentes: em escolhas, em silêncios, em medos. Escrevendo, tento soltar alguns desses nós. Tomara que sua resposta venha como um sopro leve e libertador.
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