O luxo da impunidade

Há coisas que a gente descobre sem querer. Um link, um documento, uma leitura que começa quase por curiosidade e termina como um rasgo. O problema não é apenas o que está escrito, é o depois. Depois de saber, não dá mais para seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Mas também não dáContinuarContinuar lendo “O luxo da impunidade”

O bolo, o circo e o sistema falido

Aprendi uma metáfora que nunca mais saiu da minha cabeça: a esquerda reparte o bolo, a direita faz o bolo crescer. O problema é que chegou uma hora em que não tem mais bolo pra repartir. Mas não porque ele não cresceu. Cresceu, e muito. O Brasil não quebrou economicamente por falta de recurso. QuebrouContinuarContinuar lendo “O bolo, o circo e o sistema falido”

Para quem ficou

Se você está aqui, não é por acaso. Você leu meus textos quando eles ainda eram perguntas soltas. Acompanhou quando eu escrevia sem saber exatamente o que estava fazendo, só sentindo. Viu esse tema voltar, insistir, amadurecer comigo. Entre Gerações não surgiu do nada. Ele é consequência de tudo que foi escrito aqui antes. DasContinuarContinuar lendo “Para quem ficou”

Eu estou aqui, mas não sou daqui

Há sempre essa sensação de inadequação silenciosa, como se todos os lugares fossem pequenos demais para o que ainda não aconteceu em mim. Em qualquer sala, em qualquer cidade, em qualquer fase, eu me sinto menor do que sou e, ao mesmo tempo, estranhamente maior do que tudo isso. Lá na frente é escuro. NãoContinuarContinuar lendo “Eu estou aqui, mas não sou daqui”

A internet não precisa da minha pressa

Como você se comunica online? Eu me comunico como quem não quer disputar atenção, mas presença. Não escrevo para vencer algoritmos, escrevo para não me perder de mim. Na internet, escolhi não gritar. Escolhi não simplificar o que é complexo só para caber em legenda. Escolhi não transformar pensamento em produto imediato. Minha comunicação éContinuarContinuar lendo “A internet não precisa da minha pressa”

Quando viver vira sobrevivência

Liberdade, em tese, é fazer o que se quer. Sobrevivência é fazer o que se pode, dentro da condição financeira, emocional, psíquica que se tem. Em algum ponto da história recente, o básico deixou de ser ponto de partida e virou meta. Trabalhar para comer. Trabalhar para morar. Trabalhar para continuar trabalhando. Descansar passou aContinuarContinuar lendo “Quando viver vira sobrevivência”

Quando tudo é urgente, nada é sagrado

Houve um tempo em que o dia não era medido em notificações.O tempo passava pelo corpo, pelo sol, pela fome, pelo cansaço.Até que alguém decidiu capturá-lo. O relógio mecânico não nasceu neutro.Ele nasceu para organizar fábricas, turnos, produção.Para transformar horas em rendimento.Minutos em desempenho.Segundos em lucro. Desde então, o tempo deixou de ser vivido —ContinuarContinuar lendo “Quando tudo é urgente, nada é sagrado”

Bruna por Bruna em: A anatomia secreta da sensibilidade

Dizem que é só o corpo. Que é carne, osso, hormônio, desgaste. Mas o meu sempre soube que era mais: um rádio antigo, chiando todas as frequências ao mesmo tempo. Ser um corpo sensível, neste século cansado, é acordar todos os dias em cima de um fio desencapado. O mundo liga o botão da luz,ContinuarContinuar lendo “Bruna por Bruna em: A anatomia secreta da sensibilidade”

Quando a liberdade vira slogan e o povo vira estatística

Celebraram. Chamaram de libertação. Disseram que o mal tinha sido arrancado pela raiz. Que agora a Venezuela respiraria. Que Trump havia devolvido o futuro a um povo inteiro. Do lado de fora, parecia filme. Do lado de dentro, o povo continuava com fome. O problema não é novo. A tragédia é antiga. Sempre que oContinuarContinuar lendo “Quando a liberdade vira slogan e o povo vira estatística”

Quando os sistemas começam a gritar

Há um momento na história em que as estruturas deixam de governar — e passam a implorar por sobrevivência. Existe um instante muito específico em que o mundo muda de temperatura. Não é quando a verdade aparece. É quando ela deixa de caber no roteiro. Os sistemas, então, fazem o que todo organismo em agoniaContinuarContinuar lendo “Quando os sistemas começam a gritar”

Está todo mundo exausto.

(Sobre viver em alta rotação num mundo que não sabe mais parar) Não é uma impressão isolada. Está no ar. No comércio, nas conversas rápidas, nos silêncios longos, nas mensagens que demoram mais para ser respondidas, nos olhos que perderam um pouco do brilho. Até quem não sabe explicar direito só repete a mesma palavra:ContinuarContinuar lendo “Está todo mundo exausto.”

Natal não é sobre excesso

O Natal costuma ser vendido como abundância. Mesa cheia, casa cheia, agenda cheia, sentimentos embalados em papel dourado. Mas talvez o que falte não seja mais coisa alguma. Talvez falte silêncio. Presença. Verdade. Há algo profundamente contraditório em celebrar o nascimento de alguém que pregou desapego, simplicidade e amor radical… cercados de excessos que nosContinuarContinuar lendo “Natal não é sobre excesso”

As mulheres que escreveram antes de mim

Há mulheres que não apenas escrevem, abrem caminhos. A minha escrita nasceu assim: atravessada por vozes femininas que chegaram cedo demais para serem apenas referências e tarde demais para serem esquecidas. Desde muito nova, eu lia mulheres. Lia com fome. Lia como quem encontra espelhos antes de aprender a se olhar. Transcrevia trechos em cadernos,ContinuarContinuar lendo “As mulheres que escreveram antes de mim”

O Império Invisível: de um zoológico ao poder paralelo

🐯Como o jogo do bicho saiu da jaula e virou história brasileira Tudo começou com um barão, um zoológico e uma ideia para aumentar o público. Em 1892, o Barão de Drummond criou um sorteio simples: cada ingresso para o zoológico de Vila Isabel vinha com a figura de um animal. No fim do dia,ContinuarContinuar lendo “O Império Invisível: de um zoológico ao poder paralelo”

Os 30 não são os novos 20

Quando eu era adolescente, queria muito fazer 18. Achava que a vida começava ali, no primeiro “sim” sem precisar de autorização. Todo mundo me dizia que era besteira, que depois dos 18 o tempo voava e eu ia querer ser adolescente de novo. E quem disse estava certo. Lembro dos 18 como se fosse ontem,ContinuarContinuar lendo “Os 30 não são os novos 20”

Entre Deus, o dado e o poder

por b. monma Já reparou como a história se repete, só que com uma roupa diferente?Ontem eram os generais e seus tanques. Hoje são os algoritmos e seus códigos.O controle continua o mesmo, só mudou de roupa. A gente estudou na escola que a Coreia do Norte vive numa ditadura desde 1948,mas quase ninguém falaContinuarContinuar lendo “Entre Deus, o dado e o poder”

 O preço de ser livre: quando o sistema não suporta quem não precisa dele: sobre fama, energia e a guerra invisível entre o sistema e a liberdade

Existe um tipo de sucesso que não nasce do talento, mas do algoritmo do poder. Um sucesso cuidadosamente fabricado, com o brilho polido, o discurso ensaiado e o aval de quem manda nas narrativas. E existe outro, aquele que nasce da vida real, do povo, da espontaneidade que não precisa de manual pra dar certo.ContinuarContinuar lendo ” O preço de ser livre: quando o sistema não suporta quem não precisa dele: sobre fama, energia e a guerra invisível entre o sistema e a liberdade”

Entre o feminismo e o silêncio

Escrever, pra mim, é uma forma de cura. Não escrevo pra ser lida, escrevo pra existir. Mas ainda assim me escondo.Como se mostrar minha palavra fosse o mesmo que tirar a roupa diante do mundo. Talvez por isso admire tanto as mulheres que ousaram se despir em público não de corpo, mas de alma. AsContinuarContinuar lendo “Entre o feminismo e o silêncio”

A cidade que nunca chega

São Paulo, 1976. O jornal fala de enchentes, poluição e promessas políticas. De carros que já não cabiam nas ruas, e de pessoas que já não cabiam nos sonhos. Diziam que era o preço do progresso. Me pergunto: e se o progresso for justamente o que nos impede de progredir? A cidade crescia mais rápidoContinuarContinuar lendo “A cidade que nunca chega”

A hora em que a noite dormiu

Eu nasci em 96. Vivi a noite de São Paulo na época em que ela parecia infinita: 1h da manhã e o fim de semana só estava começando, balada era ritual, e o copo cheio fazia parte do uniforme. Esse último fim de semana na cidade me deu outro retrato. À uma da manhã, portasContinuarContinuar lendo “A hora em que a noite dormiu”

Crônicas do Agora: Entre o look e o loop — ainda sei me vestir sem o algoritmo?

Abro o Pinterest, o Instagram, o TikTok. Vejo referências, inspirações, tendências. Mas quando fecho tudo e vou até o espelho… será que ainda sei o que eu gosto? Às vezes, me visto mais com o que eu salvei do que com o que eu sou. O feed virou vitrine, o algoritmo virou stylist. E oContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Entre o look e o loop — ainda sei me vestir sem o algoritmo?”

Crônicas do Agora: Ter menos, ser mais — a moda além da vitrine

Já comprei por impulso, já me vesti pra caber. Mas hoje, só fica no meu corpo o que me veste por dentro. Meu guarda-roupa já foi território de guerra entre o que eu era, o que queriam que eu fosse e o que eu tentava descobrir. Já transbordou de roupas que não tinham nada aContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Ter menos, ser mais — a moda além da vitrine”

Crônicas do Agora: Quando uma peça de roupa vira lembrança

Às vezes, a gente guarda uma peça não pelo corte, mas pelo que ela costurou na alma. Porque tem roupa que não veste — acolhe. Tem roupas que não servem mais no corpo, mas ainda moram em algum lugar entre o peito e o estômago. Como aquele jeans presente do meu avô. Não entra maisContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Quando uma peça de roupa vira lembrança”

Crônicas do Agora: A geração que acredita, mas não frequenta

Não deixei Deus. Só saí do lugar onde esperavam que eu me vestisse, falasse e orasse igual todo mundo. Minha fé continua — só encontrou outro caminho. Já me sentei em bancos de igreja sentindo que era pecado só por estar cansada. Já orei com culpa. Já me questionei por duvidar. Já chorei achando queContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A geração que acredita, mas não frequenta”

Talvez a gente precise escrever pra se ouvir

por – b. monma Outro dia, me peguei pensando: e se a gente pudesse escrever pra se curar? Não como uma obrigação de ser escritora. Mas como um respiro.Como uma carta que ninguém vai cobrar, uma lembrança que ninguém precisa entender.Como uma forma de existir — mesmo que em pedaços. Tenho recebido mensagens de genteContinuarContinuar lendo “Talvez a gente precise escrever pra se ouvir”

Crônicas do Agora: A nova fé — entre a astrologia e a Bíblia, eu sou o templo

Me disseram que eu precisava escolher entre a cruz e o mapa astral. Mas no fundo, eu sabia: Deus sempre habitou onde minha intuição sentia paz. Tem gente que encontra Deus na igreja, outros no mar, no incenso, no louvor, no mantra. E tem gente — como eu — que encontra Ele no meio doContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A nova fé — entre a astrologia e a Bíblia, eu sou o templo”

Crônicas do Agora: Até Deus virou conteúdo — espiritualidade em carrossel

Não é que a fé tenha sumido. Mas ultimamente, ela tem aparecido demais — em frases prontas, fundos bege e versículos com fonte cursiva. Hoje em dia, Deus está em todos os stories. Em legendas de look do dia, em vídeos com trilha sonora emocional, em bio de perfil com emoji de cruz. Mas entreContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Até Deus virou conteúdo — espiritualidade em carrossel”

Crônicas do Agora: A geração que conversa com a tela, mas não com o espelho

Respondemos mensagens o dia inteiro, mas evitamos olhar nos próprios olhos. A tela virou diálogo. O espelho, confronto. Estamos cercados de conexões, mas cada vez mais distantes da gente mesmo. Conversamos com vozes, figurinhas, directs, emojis. Mas quando passamos pelo espelho, desviamos o olhar. Porque o espelho não filtra. Não suaviza. Não ilude. Ele mostra.ContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A geração que conversa com a tela, mas não com o espelho”

Crônicas do Agora: Postei e não me encontrei

Postei uma selfie, uma frase bonita e uma música que parecia dizer tudo. Mas quando desliguei a tela, percebi: eu continuava sumida de mim. A gente compartilha, responde, edita, escreve “tô bem” e sorri no story. Mas quantas vezes já postou algo esperando que alguém percebesse que era um pedido de socorro bonito? O feedContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Postei e não me encontrei”

Crônicas do Agora: A mulher que cansou de se calar

Crônicas do Agora: A mulher que cansou de se calar Ela não grita. Mas também não abaixa mais a cabeça. O silêncio que antes era medo agora é escolha. E a fala, liberdade. Ela sempre foi educada. Boazinha. Daquelas que se desculpam por existir um pouco demais. Que diziam “tudo bem” até quando doía. QueContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A mulher que cansou de se calar”

Crônicas do Agora: O corpo real como rebelião silenciosa

Nem toda revolução faz barulho. Algumas andam de biquíni na beira do rio e se recusam a se odiar em frente ao espelho. Nos ensinaram a se esconder. A encolher a barriga. A cruzar os braços. A usar roupa preta pra “emagrecer visualmente”. Mas ninguém falou como é se olhar no espelho e não sentirContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: O corpo real como rebelião silenciosa”

Crônicas do Agora: Vaidade com propósito — o espelho me viu primeiro

Antes de sair pra vida, eu me visto pra mim. O espelho é meu primeiro abraço — ou meu primeiro enfrentamento. Nem toda vaidade é vazia. Algumas são refúgio. Outras, armadura. Algumas vêm da autoestima. Outras, da necessidade de lembrar quem se é — quando o mundo tenta fazer esquecer. Tem dias que a roupaContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Vaidade com propósito — o espelho me viu primeiro”

Crônicas do Agora: A alma pede férias — e não é do trabalho

Nem toda exaustão vem do que se faz. Algumas vêm do que se sente — ou do que não se sente mais. Ela estava ali, sentada no canto do sofá, com o celular na mão e o peito vazio. Nenhuma notificação. Nenhuma vontade. Nenhuma resposta dentro dela. O corpo até funcionava. Trabalhava, resolvia, entregava. MasContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A alma pede férias — e não é do trabalho”

Crônicas do Agora: Quando descansar virou um ato político

Descansar nunca foi só sobre deitar. É sobre dizer “não” a um sistema que exige que a gente se esgote para se sentir útil. Nos ensinaram que descansar é preguiça. Que parar é perder tempo. Que só merece respeito quem vive correndo. Mas a verdade é que existe revolução no ato de pausar. Existe rebeldiaContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: Quando descansar virou um ato político”

Crônicas do Agora: A geração que se cansou de fingir leveza

Entre sorrisos forçados no Instagram e crises abafadas no travesseiro, algo dentro de nós grita: “cansei.” Ela acordou com o despertador e uma vontade absurda de não existir hoje. Olhou o celular, postou um story com café e escreveu: “gratidão pelo novo dia.” Mas ninguém viu a insônia. Ninguém viu o choro abafado no banhoContinuarContinuar lendo “Crônicas do Agora: A geração que se cansou de fingir leveza”

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora